Belo e filha disputaram valor de pensão na Justiça após cantor pedir redução

Gisele Barros e Fábio Gusmão
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O valor da pensão paga pelo cantor Belo para a filha caçula, Isadora Alkimin Vieira, foi disputado por eles na Justiça, após o cantor pedir a redução do pagamento de 8,61 salários mínimos que fazia, alegando instabilidade financeira. Nesta semana, após Isadora ser presa sob a acusação de fazer parte de uma quadrilha especializada em golpes por meios eletrônicos, chamou atenção o rendimento que o pagodeiro repassava para a jovem. Em entrevista, Belo disse que entregava mensalmente "dez salários" para Isadora e que ela "não precisava se envolver em crimes para obter dinheiro".

No processo, o artista solicitou uma redução de quase R$ 4 mil reais da pensão. Na argumentação, citou inclusive a dívida de R$ 5 milhões cobrados pelo jogador Denilson, dono do grupo Soweto, do qual Belo era vocalista nos anos 1990. Denilson processou o pagodeiro por uma quebra de contrato quando Belo iniciou a carreira solo.

Os advogados de Isadora pediram pela pela manutenção da cobrança de R$ 8,997,45 do pai, justificando que ela usava o dinheiro para pagar a mensalidade de R$ 4.432,40 da faculdade de odontologia na qual era matriculada, além dos demais materiais solicitados no curso.

Ao analisar o casono início de setembro, o relator, José Eduardo Marcondes Machado, não aceitou a redução. De acordo com ele, Belo não apresentou provas recentes que justificassem o novo valor de R$ 5 mil reais.

"As certidões referentes a processos trabalhistas em face do agravado são de anos anteriores ao ajuizamento da ação (2012 a 2017); além disso, a decisão judicial datada do ano de 2016 a respeito de suposta dívida perante Denilson de Oliveira não é suficiente a comprovar a alegada instabilidade financeira, que deve ser atual e não pretérita, inexiste extrato bancário atual, declaração de imposto de renda ou documento oficial que demonstre diminuição de rendimentos do agravado", argumentou.

Machado ainda destaca na decisão o alto padrão de vida do cantor, ressaltando a divulgação de imagens nas redes sociais "que ostentam roupas e acessórios de grande valor, além de inúmeras viagens internacionais". Para exemplificar o padrão de vida de Belo, cita ainda o imóvel na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde ele mora, que seria avaliado em R$ 8 milhões e a posse de um carro Porsche de R$ 500 mil.

Isadora responde inicialmente pelo crime de organização criminosa, que prevê de três a oito anos de reclusão. De acordo com a Lei, a pena também pode ser aumentada se a organização criminosa mantém conexão com outras. De acordo com a polícia, o grupo do qual Isadora fazia parte tinha ligações com a maior facção criminosa do Estado do Rio.

A decisão sobre a pena fica a cargo da Justiça. Na quinta-feira, Isadora teve sua prisão em flagrante convertida em prisão preventiva, conforme determinação do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) em audiência de custódia. O Ministério Público pediu prisão preventiva para todo o grupo. Entretanto, a juíza Ariadne Villela Lopes considerou que cinco entre as presas são mães de crianças menores de 12 anos ou têm alguma deficiência e, portanto, concedeu-lhes a prisão domiciliar. No caso de Isadora, a defesa solicitou concessão de liberdade provisória, mas não foi atendida.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária confirmou que a filha de Belo já deu entrada no sitema prisional, mas não informou em qual unidade ela está detida.