'Bem no Meio': ópera para crianças mistura música, dramaturgia e projeções visuais

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Não é a primeira vez que Karen Acioly se aventura a montar uma ópera para crianças. Já fez isso em 2003, com “Bagunçaaa!!! — Ópera baby” e, seis anos depois, com “Fedegunda”. Este domingo, às 11h30, a diretora, dramaturga e pesquisadora estreia mais uma, “Bem no meio”, com sessão gratuita no Oi Futuro. Porém, como era de se esperar em se tratando da criadora, não será uma montagem convencional, mas uma ópera-instalação, que oferece uma experiência imersiva ao público.

Idealizado por Karen e com composição do francês Camille Rocailleux (seu parceiro também em “Fedegunda”), o espetáculo será apresentado em dois formatos, presencial e “expandido”. No primeiro, o público assiste ao vivo à performance do elenco — formado por Luisa Vianna (Bem), Carol Botelho (Gaia) e Guilherme Borges (Ponto) —, que interage com projeções filmadas dos atores Sabrina Korgut (mãe), Ciro Acioli (pai) e das crianças do Coro Infantil da UFRJ. No tal modelo expandido, o espetáculo será exibido numa instalação cenográfica. Algo como um “cinemópera”: cinema + ópera + instalação.

— Não é um cinema porque a gravação não é projetada em uma tela, estamos em uma cenografia, em um espaço poético. Quando expandimos, há uma dilatação dos sentimentos — acredita a diretora. — Temos que descobrir como a música, o espaço, a movimentação dos atores provocam o imaginário das crianças, que é muito mais livre do que o nosso.

“Bem no meio” é a história de Bem, uma menina que descobre ter o dom de entrar e sair dos livros. Como se fosse pouco, ela ainda nasceu com um buraquinho nas costas, de onde surge uma asa que a faz voar. Em meio às descobertas, Bem tenta conversar com seus pais, em processo de separação, mas eles não a escutam.

Criadora do Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens (FIL), Karen conta que o enredo principal de “Bem no meio” — separação dos pais da protagonista e falta de atenção — surgiu a partir de entrevistas que realizou com crianças de 4 a 12 anos durante edições do evento.

— Percebi na fala das crianças que os adultos não dão muita atenção para o que elas sentem, como se fossem sentimentos banais, mas é muito profundo o que aquela criança está sentindo. Então, quando a gente faz uma ópera, em que a música te invade, isso cria uma ressonância e a criança embarca.

Para criar essa sensação de aconchego e intimidade, a diretora criou o que chama de “espaço poético”, que é a soma da cenografia com a luz, a movimentação e a música. O cenário tem três pontos principais: o ninho, a concha e o ponto, peças redondas que têm o objetivo de transmitir segurança e abrigam os momentos de felicidade e descoberta na história.

Parceiro de longa data da diretora, o compositor, pianista e percussionista Camille Rocailleux comemora a oportunidade de criar propostas contemporâneas para um formato teoricamente de difícil acesso para crianças.

— Não se trata de simplificar ou tornar as coisas mais acessíveis, acho importante que as crianças venham ao teatro descobrir coisas diferentes do que estão acostumadas — defende.

Rocailleux explica que, para compor uma ópera infantil, a abordagem musical não é diferente de quando se cria para o público adulto. O que é preciso ter em mente são os rumos e objetivos da história.

— No começo, eu e a Karen conversamos muito sobre a proposta e o caminho emocional dos personagens. Isso permitiu que eu me projetasse no imaginário dela. Depois, quando ela disponibilizou o libreto, foi a minha vez de compor e fomos ajustando da melhor maneira. Nesse espetáculo, tivemos um cuidado especial porque criamos intervenções de vídeos em algumas cenas — explica.

A diretora conta que a história da menina Bem começou como um conto, tornou-se um libreto de ópera e vai virar um livro infantil, trabalhando várias linguagens.

— Para mim, o melhor amigo que podemos ter é o livro. A ópera tem essa pegada, eu gosto de estimular esse amor pela leitura, pela literatura infantil— destaca ela, acrescentando que a ideia é que as duas versões do espetáculo, presencial e expandido, rodem pelo Brasil.

“Bem no meio”

Onde: Oi Futuro. Rua Dois de Dezembro 63, Flamengo..Tel: 3131-3060.

Quando: Apresentações presenciais este domingo (21), às 11h30, e dia 27 (sábado) às 16h. Formato expandido: a partir do dia 28 (domingo), todos os finais de semana até 19 de dezembro, às 15h, às 16h e ás 17h.

Quanto: Grátis.

Classificação : Indicado para maiores de 5 anos.

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