Ben Affleck fala sobre modelos de masculinidade representados no longa 'Bar doce lar', dirigido por George Clooney

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  • Ben Affleck
    Ben Affleck
    Ator, diretor, roteirista e produtor norte-americano
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    George Clooney
    Ator, diretor e produtor norte-americano

Baseado nas memórias de J. R. Moehringer, correspondente do Los Angeles Times e vencedor do Pulitzer, o longa “Bar doce lar” (“The tender bar”, no original) narra a história de um garoto que precisa voltar com a mãe para a casa dos avós, em Long Island, enquanto lida com a ausência do pai, um radialista conhecido como “A Voz”. Ambientada nos anos 1970 e 1980, a trama, que estreou no Amazon Prime Video na última sexta-feira (7), remonta às lembranças de J.R. no bar de seu tio Charlie (Ben Affleck, indicado ao Globo de Ouro de ator coadjuvante pelo papel), onde se dá sua formação como homem e escritor. No balcão do Dickens (batizado em homenagem ao romancista Charles Dickens), o jovem (interpretado na infância por Daniel Ranieri e, mais velho, por Tye Sheridan) lê a coleção de livros do tio, entre conselhos sobre a vida dados por ele e por seus fregueses.

Com direção de George Clooney, o longa aborda os vários modelos de masculinidade através da busca de J.R. por figuras paternas, como o tio Charlie e o rebugento mas amoroso avô Moehringer (vivido por Christopher Lloyd, o eterno Doc Brown da franquia “De volta para o futuro”).

—O Charlie é um personagem complexo, com seus erros e acertos, mas que defende os valores nos quais acredita. Quando buscamos nos tornar um homem, muitas vezes cometemos erros, e machucamos outras pessoas e a nós mesmos. Isso é um aspecto da masculinidade tóxica. Mas existe um outro lado do que é ser um homem, e o filme aborda isso muito bem — comenta Affleck, em entrevista por videoconferência.

Leitor voraz, o personagem de Affleck incentiva o desenvolvimento pessoal e profissional do sobrinho, até que ele chega à universidade de Yale, realizando o sonho da mãe, interpretada por Lily Rabe. Para o ator, o filme destaca o valor da cultura e da educação, num momento de ataques vindos de lideranças mundiais.

— A educação faz com que você desenvolva um pensamento crítico, se expresse melhor. Quando você se informa, deixa de ser um alvo fácil para dogmas ou qualquer tipo de propaganda — frisa o ator. — Lembro da visão que meu pai tinha da educação. Ele sabia a importância do conhecimento, do crescimento pessoal e profissional que ela traz. Mas também via o lado democrático dessa questão, que uma boa educação não deveria ser restrita apenas a quem tem recursos ou influência.

Outro detalhe sutil sobre os modelos de masculinidade está nos diálogos entrecortados e nos muitos não-ditos, sobretudo nas interações entre o avô e seu neto.

— Existe uma frustração no personagem, ele gostaria de ver outra vida para os filhos, e todos na casa carregam os próprios dramas. Mas ele ama muito a família, o neto, e quer que todos fiquem em paz — diz Christopher Lloyd, para quem o filme tem uma mensagem atual. — A vida hoje é cheia de estresse, com a crise econômica, a pandemia, as muitas ameaças vindas de vários lugares contra a democracia. A família acaba sendo um microcosmo dessas várias tensões que existem na sociedade.

Roteirizado por William Monahan a partir do livro lançado no Brasil em 2006, o longa também destaca a relação de J.R. com a mãe, a quem Moehringer dedicou a publicação. Mais conhecida do público pela série “American horror story”, Lily Rabe diz ter buscado referências pessoais para compor a personagem.

— Pensei na minha mãe e em várias outras mulheres que conheço, na força delas. Lendo o livro, você se sente como se fosse parte daquela família, tentamos levar este sentimento para a tela — conta a atriz, ressaltando as qualidades de Clooney como diretor. — George consegue criar um ambiente de confiança e acolhimento no set, não só para o elenco, mas para toda a equipe. Ele nem precisa falar demais, às vezes só com um olhar ou duas palavras já dá para entender o que ele quer.

Também diretor, produtor e roteirista, Affleck reforça os elogios a Clooney no set e diz que a experiência dos dois lados da câmera pode ajudar na direção:

— Modestamente falando, vendo a lista enorme de atores que fizeram essa transição, como (Kevin) Costner, (Sidney) Poitier, (Robert) Redford, há uma vantagem em saber o quão delicada uma interpretação pode ser e como afetar o público. George é muito bom nisso, ele faz com que os atores se sintam confortáveis e apoiados.

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