Benefícios da vacina AstraZeneca superam riscos, antecipa painel da OMS

O Globo
·2 minuto de leitura

Um painel de especialistas em segurança de vacinas reunido desde terça-feira (16) na sede da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra divulgou nesta quarta (17) que considera que os benefícios da vacina AstraZeneca/Oxford contra Covid-19 supera seus riscos. A recomendação inicial do painel da OMS é que seja retomada a aplicação da vacina, interrompida em vários países europeus nos últimos dias após a notificação de efeitos colaterais entre imunizados com a fórmula.

"O Comitê Consultivo Global da OMS sobre Segurança de Vacinas está avaliando cuidadosamente os dados de segurança mais recentes disponíveis para a vacina AstraZeneca. Assim que a revisão for concluída, a OMS comunicará imediatamente as descobertas ao público", disse o órgão um dia após os especialistas iniciarem o encontro a portas fechadas.

O uso da vacina da AstraZeneca está suspenso na Itália desde esta segunda-feira, assim como em mais da metade da União Europeia, incluindo Alemanha e França, devido a relatos de casos graves de coagulação sanguínea em pessoas recém-vacinadas.

O órgão regulador de medicamentos da Europa afirmou nesta terça-feira que "não há indicação" de que a vacina contra a Covid-19 de Oxford/AstraZeneca cause coágulos sanguíneos, depois que um número crescente de países suspendeu seu uso para examinar possíveis efeitos colaterais, potencialmente atrasando ainda mais a campanha de vacinação na região.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) também afirmou que os benefícios do imunizante continuam a superar os riscos. A diretora-executivo da EMA, Emer Cooke, disse que a agência está realizando uma avaliação caso a caso dos incidentes e que deve concluir uma revisão na quinta-feira (17).

Mesmo antes da suspensão, o imunizante desenvolvido em conjunto com a Universidade de Oxford enfrentou atrasos na produção, que a empresa atribuiu em parte a problemas iniciais típicos com um novo produto. Como resultado, a AstraZeneca disse na semana passada que só será capaz de entregar cerca de 100 milhões de doses para a UE na primeira metade do ano, cerca de um terço do número originalmente planejado.