Benefícios podem explicar acusação de Cabral a mulher na Lava-Jato

Maiá Menezes

Desde que foi preso, e ainda quando negociava a delação premiada, a expectativa era de que o ex-governador Sérgio Cabral Filho pouparia a mulher, Adriana Ancelmo, nas negociações com a Justiça. O próprio esforço de delação seria uma tentativa de blindar a advogada, na interpretação de quem acompanha o caso de Cabral e suas múltiplas condenações. O depoimento da tarde desta segunda-feira, em que o ex-governador disse que Adriana "sabia do caixa paralelo", reverteu essas expectativas.

Cabral foi sempre lacônico ou cuidadoso em relação à participação de Adriana Ancelmo, que hoje anda de tornozeleira eletrônica. Ao finalmente confirmar a atuação do escritório de advocacia da mulher na lavagem de dinheiro da corrupção através do restaurante Manekineko, a fidelidade parece ter sido quebrada. A informação pode prejudicar Adriana, e indica que há ainda o que ser dito sobre a extensa rede de corrupção do ex-governador.

Ao chegar ao ponto de dar às investigações subsídios para novas acusações contra a própria mulher, a interrogação que Cabral suscita é que benefícios poderá ter. São 12 condenações. Mais de 240 anos. Os termos da delação certamente ajudam a explicar a razão de Cabral parar de blindar sua mulher.