Beninenses elegem presidente sem entusiasmo e sob tensão

Camille MALPLAT y Josué MEHOUENOU
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Um soldado avança em frente à multidão de apoiadores do presidente Patrice Talon no último dia de campanha eleitoral, no Benim

Os beninenses elegeram seu presidente neste domingo (21) após uma campanha sem entusiasmo marcada pela violência no centro do país, onde os manifestantes protestaram contra eleições confiscadas pelo chefe de Estado Patrice Talon.

A reeleição deste velho magnata do petróleo que chegou ao poder em 2016 e que governa com mão de ferro não parece estar em risco. Seus adversários são dois candidatos praticamente desconhecidos, os ex-deputados Alassane Soumanou e Corentin Kohoué.

Os 15.531 colégios eleitorais encerraram às 16h00 (15h00 GMT) e a contagem de votos começou imediatamente.

Nos locais de votação visitados pela AFP em Cotonou, a capital econômica, a taxa de participação não ultrapassou os 30% e Patrice Talon aparecia como o claro vencedor.

"A votação correu bem aqui, não tivemos incidentes ou problemas", contou Ricardo, um estudante de ciência da computação de 23 anos, que estava compilando os resultados.

"Tivemos uma participação bastante baixa. As pessoas não têm saído muito. Pelos primeiros resultados daqui, o presidente está na frente", acrescentou.

A maioria dos opositores estão exilados, condenados pela Justiça ou desqualificados para participar devido ao novo Código Eleitoral e a uma reforma institucional.

Elogiado durante muito tempo pela sua vitalidade democrática, este país africano viveu uma campanha tranquila no sul, enquanto o norte foi palco de violências.

"A particularidade desta eleição é que se desenvolve em uma atmosfera de tensão e violência", observou a plataforma eleitoral de organizações da sociedade civil do Benim.

Desde terça-feira, os habitantes de várias cidades do centro e norte do país, feudos da oposição, bloquearam o tráfego com barricadas.

O exército as desmantelou na quinta-feira e liberou a estrada, recorrendo a disparos com balas reais. Ao menos dois civis morreram e outros cinco ficaram feridos.

"Militares que disparam contra nossos filhos. Parece que estamos em um filme. Se o presidente tem problemas com os opositores, que proteja o pobre povo", lamenta Philomene M'Betti Tepa, uma cidadã de Boukoumbe, no noroeste do país.

Na sexta-feira, representantes no Benim da União Europeia, França, Holanda e Estados Unidos pediram em um comunicado conjunto o "fim da violência" e defenderam uma "eleição livre, tranquila e transparente".

Segundo a Comissão Eleitoral Nacional Autônoma (Cena), as barricadas atrasaram o envio de material eleitoral no norte. No entanto, "não há motivos para que a eleição não aconteça", afirmou.

Cerca de 5 milhões de eleitores foram convocados nos 15.531 centros de votação.

Nessas eleições, os beninenses elegerão pela primeira vez um vice-presidente.

Patrice Talon é o único que escolheu uma mulher como candidata ao cargo, Mariam Talata, uma professora de filosofia de 57 anos tão carismática quanto feminista.

Além da ausência de uma oposição forte, o presidente pode confiar em sua reeleição devido ao seu bom balanço econômico: a produção de algodão (um dos principais recursos do país) aumentou consideravelmente, a pequena corrupção praticamente desapareceu e muitas estradas foram construídas.

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