Conselho de Ética da Câmara de Vereadores de Niterói vai investigar acusação de transfobia no plenário

Julia Noia
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RIO — A Comissão de Ética da Câmara de Vereadores de Niterói vai investigar acusação de transfobia e tentativa de agressão contra o vereador Douglas Gomes (PTC) feita por Benny Briolly (PSOL), a primeira parlamantar trans eleita na Casa. Segundo a vereadora, Gomes chegou a partir para cima dela após uma discussão no plenário da Câmara e só não chegou às vias de fato porque foi impedido pelo vereador Professor Júlio (PSOL). A parlamentar ainda estuda entrar na Justiça contra o vereador por ataques dentro e fora do plenário e por desrespeito aos direitos humanos.

Na sessão plenária de quinta-feira, o vereador utilizou pronomes no masculino para se referir a Briolly e chamou a parlamentar de “vagabundo, “muleque” e “seu merda”. As colocações ocorreram logo após Briolly ter pedido à Mesa Diretora a retirada do parlamentar da Vice-Presidência da Comissão de Direitos Humanos por ele ferir reiteradamente os direitos humanos. Pouco depois da fala de Gomes, imagens mostram que parlamentares contiveram o que seria uma tentativa de agressão física à vereadora. Depois do embate, o presidente da Câmara, o vereador Milton Carlos Lopes (PP), encerrou a sessão.

— Decoro parlamentar é uma imunidade para você fazer um debate, mas não dá direito para você praticar um crime. Essa pessoa não pode ser vista como Vice-Presidente da Comissão de Direitos Humanos — afirma Briolly.

Essa não foi a única vez que a parlamentar se sentiu pessoalmente atacada pelo vereador Douglas Gomes. No dia 25 de fevereiro, ele foi às suas redes sociais criticar uma publicação da vereadora comentando a prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), por ataques a ministros do STF e pedir a volta do AI-5. No Twitter, Gomes critica o posicionamento de Briolly feita na postagem intitulada de “cria de favela” e comenta que “o que eu tenho de favela, com orgulho, você não tem de silicone”.

Benny Briolly conta que, ainda em fevereiro, enquanto realizava um ato na entrada da Câmara dos Vereadores, o parlamentar começou a xingá-la, o que estimulou outras pessoas a agredi-la, e por isso precisou ser escoltada pela polícia parlamentar e pela Guarda Municipal.

— Chegou em um nível hoje que eu não posso mais andar nas ruas, não posso mais transitar na cidade, porque esse parlamentar não incita só o ódio, ele pratica crime na internet e faz com que a população se sinta no direito de reproduzir esses crimes nas ruas, como eu fui xingada no restaurante, fui cuspida, tive que sair do trabalho escoltada. Isso é uma barbárie, isso não pode acontecer.

Em nota, o presidente da Câmara de Niterói, Milton da Silva Lopes (PP), diz que espera que os vereadores façam a sua parte para manter o "iálogo ameno" e ressalto que cabe ao Conselho de Ética avaliar a conduta do vereador Douglas Gomes.

Também em nota, o vereador nega ter agredido Benny Briolly e afirma que a denúncia é “totalmente infundada”. Gomes diz ainda que o jurídico está tomando as medidas cabíveis referente “às calúnias publicadas pelo parlamentar”.