Merkel defende início 'mais lento' das campanhas de vacinação na Europa

Isabelle LE PAGE
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A chanceler alemã, Angela Merkel

Angela Merkel, chanceler da Alemanha, defendeu nesta segunda-feira (1ª) o início "mais lento" da campanha de vacinação contra a covid-19 na União Europeia, em meio a críticas em seu país e na região.

Ela também afirmou que todos os alemães adultos, ou seja, 73 milhões de pessoas, serão vacinados "até o final do verão" (inverno no Brasil).

"É verdade que foi mais lento em alguns pontos, mas também há boas razões para isso", disse ela após uma cúpula de cinco horas com chefes de governo regionais alemães, representantes da União Europeia e grupos farmacêuticos.

Segundo Merkel, o atraso ocorreu porque, ao contrário do Reino Unido, por exemplo, os europeus optaram por não dar autorizações de emergência para a primeira vacina disponível, a da Pfizer/BioNTech, ou as seguintes, da Moderna e da AstraZeneca.

O motivo é a necessidade de garantir a eficácia dos produtos e assim ganhar a “confiança” dos cidadãos nas vacinas.

“Por muito tempo lutamos”, principalmente sobre a questão da responsabilidade dos laboratórios em relação aos prazos de entrega, frisou a chanceler.

"Entendo a decepção" da população, disse Merkel, "porque todos pensaram que dado o volume de pedidos" de vacinas, elas "chegariam mais rápido".

A cúpula de combate à covid-19 começou nesta segunda em Berlim presidida por Merkel, ao mesmo tempo em que cresceram as críticas contra seu governo e a União Europeia por causa da lentidão nas vacinações.

O ministro da Saúde, Jens Spahn, alertou que não se espere um milagre da reunião. "Uma cúpula não produzirá mais vacinas por si mesma", declarou.

No entanto, as discussões começaram com notícias positivas, com o compromisso de vários laboratórios em acelerar a produção de vacinas.

O laboratório alemão BioNTech prometeu nesta segunda-feira entregar à UE até 75 milhões de doses da vacina desenvolvida com a americana Pfizer no segundo trimestre. Os dois sócios esperam "aumentar a oferta a partir da semana de 15 de fevereiro".

Pouco depois, a gigante farmacêutica alemã Bayer garantiu que produzirá a partir de 2022 a vacina contra o coronavírus que a empresa desse mesmo país está desenvolvendo, a CureVac, atualmente "em processo de certificação", segundo o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn.

A meta da empresa é produzir 160 milhões de doses em 2022. Essas capacidades se somam à produção da rede existente da CureVac de 300 milhões de doses neste ano e 1 bilhão em 2022, explicou Franz-Werner Haas, presidente da CureVac.

Na véspera, a presidente da Comissão Europeia Ursula Von der Leyen indicou que o laboratório anglo-sueco AstraZeneca, que tem causado forte indignação entre os líderes europeus por causa dos atrasos de produção, vai finalmente aumentar em 30% as entregas de sua vacina no primeiro trimestre, imunizante autorizado na sexta-feira nos mercados europeus.

- "Fracasso" da UE -

O objetivo é tentar acelerar a campanha de vacinação, que avança lentamente na Alemanha e em muitos outros países europeus.

A imprensa alemã criticou sem piedade a UE nesta segunda-feira, acusada de ter encomendado as vacinas tarde demais e de ter negociado mal, especialmente com a AstraZeneca.

A Europa atualmente tem um saldo vacinal menor do que o Reino Unido, e os apoiadores do Brexit veem isso como uma confirmação da boa decisão do país em ter deixado a UE.

É "uma declaração de fracasso para Bruxelas, um teste da incapacidade dos 27 Estados-membros", critica o jornal popular alemão Bild.

"Como você pode, na crise mais grave desde a Segunda Guerra Mundial, descuidar tanto do fornecimento de vacinas?", questiona por sua vez Der Spiegel.

Ursula von der Leyen está especialmente sob a mira da maioria, e alguns, como o AfD, partido de extrema-direita alemão, exigem que ela renuncie.

O caos atual também enfraquece a chanceler Merkel, poucos meses antes das eleições legislativas de setembro.

Seu alto nível de popularidade, assim como o de seu partido conservador, se devia em grande parte a uma gestão considerada eficaz contra a pandemia, à qual a Alemanha resistiu relativamente bem na última primavera, antes de ser duramente atingida agora pela nova onda do coronavírus.

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