Berlusconi defende Putin e diz que o russo queria colocar 'gente decente' na Ucrânia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na contramão do que defende a União Europeia e seu próprio país, o ex-premiê da Itália Silvio Berlusconi disse em entrevista veiculada nesta sexta (23) que a Rússia foi pressionada a invadir a Ucrânia e que teria como objetivo colocar "gente decente" no comando do país.

Falando à RAI, televisão pública italiana, o ultradireitista disse que o presidente russo, Vladimir Putin, teria sido pressionado pelo povo russo, por seus partidários e ministros a criar uma operação militar especial —eufemismo com o qual Moscou se refere à guerra.

"Não entendo por que as tropas russas se espalharam pela Ucrânia; na minha cabeça, elas deveriam ter ficado apenas em Kiev", acrescentou. "Mas, as forças encontraram uma inesperada resistência que foi alimentada com armas de todos os tipos pelo Ocidente."

Berlusconi é líder do Força, Itália, um dos três partidos que integra a coalizão de direita que aparece na dianteira das pesquisas de intenção de voto para as eleições legislativas marcadas para este domingo (25).

Criticado pelas declarações, ele afirmou em uma rede social que suas declarações foram "simplificadas" e "extrapoladas". "A agressão contra a Ucrânia é injustificável e inaceitável, e a posição da Força, Itália é clara: estaremos sempre com a UE e com a Otan [aliança militar ocidental]."

Berlusconi e Putin são conhecidos por ter relação próxima. O italiano chegou a visitar a península da Crimeia após a anexação pela Rússia em 2014 e já convidou Putin diversas vezes para sua mansão particular na ilha da Sardenha.