Partidos votam em branco na eleição para presidentes do Parlamento da Itália

Roma, 23 mar (EFE).- Todos os partidos escolheram votar em branco na primeira votação para a eleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado da Itália, ao não terem chegado a nenhum acordo antes da primeira sessão que marca o início desta legislatura.

Desta maneira, na primeira votação na Câmara Baixa houve 592 votos em branco e 18 nulos, por isso o processo será repetido durante a tarde de hoje.

Já no Senado, foram 312 votos em branco em relação aos 317 senadores e a votação também será repetida esta tarde.

As eleições de 4 de março impuseram um cenário de fragmentação sem maiorias para governar, por isso as diferentes forças devem se aliar para escolher um candidato a presidir as câmaras, primeiro passo da legislatura.

Está previsto que os parlamentares continuem votando em branco nas próximas votações de hoje, pois as formações com mais apoios nas eleições de 4 de março, a coligação de direita comandada pelo líder da Liga Norte (LN), Matteo Salvini, e o Movimento 5 Estrelas (M5S), não chegaram a acordos quanto a quem apoiar.

Até ontem, parecia que tinham chegado a um princípio de acordo para dividir a presidência das Câmaras.

O líder do M5S, Luigi Di Maio, tinha exigido como partido mais votado nas eleições a presidência da Câmara dos Deputados, enquanto a coligação de direita aceitou o Senado.

Mas a exigência do líder do Força a Itália, Silvio Berlusconi, de colocar seu correligionário Paolo Romani como presidente do Senado, fez ruir os pactos, segundo a imprensa italiana.

"O M5S se equivoca pondo vetos, mas também se equivoca quem se

foca em um só nome", disse Salvini, após a votação na Câmara baixa.

As negociações sobre o possível nome proposto pela direita devem continuar hoje, mas devem ser difíceis e fazem supor será complicado formar governo.

Segundo os analistas, a coligação de direita terá que propor um novo candidato ao Senado para poder receber o apoio do M5S, ou então a situação não mudará.

A outra opção será a LN romper o acordo com o Força Itália e combinarem entre eles a eleição dos presidentes.

A terceira opção, a mais improvável para os analistas, seria o M5S ou a LN ceder uma das Câmaras ao Partido Democrático (PD) em troca de receber apoio para conseguir a presidência na outra para seu candidato. EFE