Agente nervoso contra ex-espião pode ter sido escondido na mala de sua filha

Londres, 16 mar (EFE).- O agente nervoso que envenenou o ex-espião russo Sergei Skripal pôde ter sido escondido na bagagem de sua filha Yulia, achada inconsciente junto com ele, antes de ter deixado Moscou, informa nesta sexta-feira o jornal "The Daily Telegraph".

O citado jornal britânico aponta hoje para fontes dos serviços secretos que, aparentemente, ventilam agora esta nova hipótese para explicar o envenenamento do ex-espião, de 66 anos, e de sua filha, de 33, que seguem hospitalizados em um centro médico de Salisbury (sul da Inglaterra) em "estado crítico".

As mesmas fontes, não identificadas, disseram ao jornal que estão convencidas de que o componente químico de tipo militar e fabricação russa, denominado Novichok, usado na agressão, foi escondido na bagagem de Yulia Skripal, antes de ela ter pego um voo a Londres para visitar o pai.

Segundo essa teoria, a toxina pôde ter impregnado em algum artigo de vestiário ou em algum cosmético de Yulia, ou algum outro objeto guardado na mala, que foi aberto no domicílio inglês de Skripal, na citada localidade de Salisbury.

Isso implicaria, aponta o Telegraph, que a filha do ex-agente foi usada de maneira deliberada a fim de atacar o seu pai.

Enquanto a polícia britânica continua investigando no local dos fatos para tratar de esclarecer as circunstâncias do incidente, as tensões entre o Reino Unido e a Rússia se agravaram nos últimos dias, após os ingleses acusarem Moscou de estar por trás do envenenamento.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, que visitou nesta quinta-feira Salisbury para "agradecer" os trabalhos realizados pelos serviços de emergência perante o ocorrido, anunciou nesta semana a expulsão de 23 diplomatas russos diante da atitude de "completo deprecio" mostrada pelo Kremlin perante os fatos.

May revelou, além disso, várias medidas de represálias que o seu Executivo adotará contra a Rússia, entre elas a suspensão das relações bilaterais a alto nível, um aumento dos controles a cidadãos russos que visitem o Reino Unido, ao mesmo tempo que confirmou que não haverá representação britânica por parte da realeza na Copa do Mundo de Futebol da Rússia.

A Rússia negou desde o primeiro momento qualquer envolvimento no fato e o seu ministro de Relações Exteriores, Sergey Lavrov, assegurou que prepara represálias contra este país e que as anunciará logo.

Os principais aliados do Reino Unido, Estados Unidos, França e Alemanha, mostraram nesta quinta-feira publicamente seu apoio a este país, perante o agravamento da crise.

Em um comunicado conjunto, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente americano, Donald Trump, e o francês, Emmanuel Macron, se uniram à primeira-ministra britânica para condenar o ataque e denunciar que trata-se do primeiro ataque na Europa com um agente nervoso desde a II Guerra Mundial. EFE