Best-seller divisivo: cópias da nova Constituição do Chile chegam às ruas

Moradora olha livro com proposta de nova Constituição do Chile em Santiago

Por Alexander Villegas

SANTIAGO (Reuters) - Em cidades do Chile, livrarias e vendedores ambulantes estão divulgando um novo livro roxo que promete –-ou, dependendo da opinião do leitor, ameaça-– remodelar a sociedade no país andino.

O livro revela a proposta de nova Constituição do país. Seus 388 artigos que abordam direitos sociais, gênero, política e meio ambiente visam fechar a porta ao texto atual, elaborado em 1980 sob a ditadura militar de Augusto Pinochet.

Os chilenos votarão para aprovar ou rejeitar a nova Constituição em 4 de setembro. Embora tenham apoiado esmagadoramente o plano de escrever uma nova em um referendo há dois anos, pesquisas de opinião sugerem que o rascunho final pode ser rejeitado. O apoio caiu devido ao temor de que algumas das propostas da assembleia encarregada de formular o texto sejam muito radicais.

Na capital Santiago, longas filas estão se formando do lado de fora de livrarias e bancas de rua por pessoas querendo pegar o texto recém-finalizado --um livro roxo brilhante decorado com uma bandeira chilena. Vendedores de rua disseram que estavam vendendo dezenas de cópias por dia.

"O dinheiro está aqui agora", afirmou Alfredo López, um vendedor que normalmente vende frutas em Santiago.

López vendeu máscaras quando a pandemia chegou e agora tem uma mesa cheia de livros e uma placa amarela feita à mão divulgando o texto por 3.000 pesos (3 dólares). Embora López não tenha lido e não pretenda fazê-lo, o fluxo de clientes é constante e ele diz que está vendendo de 70 a 80 cópias por dia.

A nova Constituição, nascida pela ira da desigualdade gritante em uma das nações mais ricas da região que explodiu em protestos em 2019, tornou-se um para-raios para o debate entre aqueles que querem proteger o modelo econômico orientado para o mercado do Chile que ajudou a impulsionar décadas de crescimento e aqueles que buscam um ideal socialmente mais inclusivo.

(Por Alexander Villegas e Esteban Medel; reportagem adicional de Natalia Ramos)

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