'Besuntado de Tonga' perde qualificação olímpica mas ainda pode entrar para a história; veja o por quê

Pita Taufatofua, que ganhou fama mundial depois de ser o porta-bandeira de Tonga na Cerimônia de Abertura dos Jogos do Rio, em 2016, com trajes tradicionais e peito nu coberto de óleo de coco, tem apenas uma única chance para se garantir nos Jogos de Tóquio-2020.

É que o atleta, que quer entrar para a história como o primeiro da era Moderna a disputar três Olimpíadas em sequência e em esportes diferentes, tentava vaga na canoagem de velocidade para Tóquio e precisava vencer o torneio de qualificação da Oceania. E apesar de ter registrado 49s97, oito segundos mais rápido do que nos 200m no K1 do Campeonato Mundial do ano passado, ele não avançou.

O tongolês competiu no taekwondo no Rio 2016 e no esqui cross-country nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 em Pyeongchang. No Rio, foi eliminado na primeira luta. Na Coreia ficou entre os últimos. E em ambos desfilou nas festas de abertura com o peito besuntado.

Taufatofua terá uma última oportunidade de se classificar para os Jogos de Tóquio na Copa do Mundo em Duisburg, Alemanha, no final de maio.

O atleta vai além do corpo perfeito. Tem diploma de engenharia em Queensland e por 15 anos trabalhou em projetos sociais ligados à crianças sem lar em Brisbane. É embaixador da Unicef e encabeça projetos sociais em Tonga.

Sua mãe é australiana. Foi enfermeira e hoje é consultora de saneamento no Pacífico sul. O pai, tongolês, chegou ao doutorado em ciências agrícolas. Ele é um dos sete filhos do casal e, apesar de ter nascido em Brisbane, foi criado em Tonga.

Ele cresceu em uma casa com um quarto e sem energia elétrica. Ainda criança, perdeu uma irmã vítima de câncer. Aos cinco anos, começou no taekwondo.

A primeira tentativa olímpica foi para Londres 2012. Treinou sem dinheiro e sem praticamente nenhum apoio. Dormia embaixo de uma mesa na Coreia do Sul, em uma escola religiosa que abriu as portas para ajudá-lo. No pré-olímpico disputado no Azerbaijão, se machucou e não conseguiu a vaga no taekwondo.

Para a Rio-2016 o cenário era o mesmo. Quatro meses antes da Olimpíada, classificado para os Jogos após vencer a qualificatória em Papua Nova Guiné, ele estava endividado e conseguiu ajuda financeira por meio de crowfunding para viajar ao Rio de Janeiro.