Bíblia, guarda-chuva, marmita: relembre o que policiais já 'confundiram' com armas durante operações

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Black and white, woman pointing a old gun to front with one Hand on dark background
Maior partes das vítimas de policiais que "confundiram" objetos com arma era de homens negros (Foto: Getty Images)
  • Brasil acumula casos de policiais que atiram em cidadãos após "confundirem" objetos com armas de fogo

  • Caso mais recente é de jovem de 17 anos que foi assassinado pela polícia por estar com uma marmita

  • Lista de objetos "confundidos" com armas de fogo tem guarda-chuva, celular, furadeira e outros

Ao longo dos últimos anos, o Brasil acumula casos em que autoridades policiais alegam terem confundido objetos com armas de fogo como justificativa para terem alvejado cidadãos. Na lista, estão bíblia, furadeira, guarda-chuva e outros. Na maior parte dos casos, as vítimas foram homens negros.

Marmita

O caso mais recente é de um jovem de 17 anos que foi alvejado e morto por policiais civis na comunidade do Piolho, na zona sul de São Paulo. Moradores da região revelaram à Record TV que ele teria sido atingido após policiais confundirem a marmita de Gabriel Augusto com uma arma de fogo.

Guarda-chuva

No dia 17 de setembro de 2018, Rodrigo Alexandre da Silva Serrano, de 26 anos, foi assassinado na favela Chapéu Mangueira, na zona sul do Rio de Janeiro, por policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificado). Moradores do local revelaram à época que Rodrigo estava com um guarda-chuva preto – confundido pelos policiais com um fuzil – e um canguru, para buscar os filhos – confundido com um colete à prova de balas.

Em entrevista à Ponte Jornalismo, um morador revelou que estava chovendo e a esposa e os filhos de Rodrigo não estavam em casa, por isso, ele desceu a ladeira do morro para espera-los. “A polícia desceu correndo, achou que ele estava com colete e com fuzil, e atirou. A PM não só atirou, como matou o homem”, revelou o morador na ocasião. “Não estava tendo operação naquela hora. Não teve troca de tiro.”

Celular

Paulo César Miranda, de 27 anos, foi assassinado por um policiam militar em 2017 durante uma abordagem. O caso aconteceu em Belo Horizonte. Os PMs confundiram um celular, que estava no bolso da vítima, com uma arma de fogo e atiraram na cabeça de Paulo César.

O homem foi socorrido, mas não resistiu e morreu antes de dar entrada no hospital. O policial justificou que estava escuro e atirou por achar que a atitude de Paulo César de tirar o celular do bolso era suspeita.

Bíblia

Um cabo da Polícia Militar matou o gari Antônio Marcos dos Santos em 2012, durante uma abordagem após confundir uma bíblia com uma arma de fogo.

O caso aconteceu em Avaré, no interior de São Paulo. A corporação justificou que, na abordagem, Antônio tentou tirar um objeto debaixo da camiseta e, por isso, o PM atirou. Ele acreditava se tratar de uma arma, mas era uma bíblia. O gari chegou morto ao hospital.

Macaco hidráulico

O sargento da PM Carlos Fernando Dias Chaves assassinou os jovens Jorge Lucas Martins Paes, de 17 anos, e Thiago Guimarães Dingo, de 24 anos, no Morro da Pedreira, na zona norte do Rio de Janeiro, em 2015.

O policial se justificou ao dizer que confundiu um macaco hidráulico, carregado pelas vítimas, com uma arma.

Furadeira

Em 2010, Hélio Ribeiro foi assassinado por um policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) quando estava no terraço de casa, no Morro do Andaraí, no Rio de Janeiro, pregando uma lona com uma furadeira. O policial Leonardo Albarello alega que teria confundido a furadeira com uma arma.

Nove anos depois, em 2 de abril de 2019, um caso similar aconteceu, também no Rio de Janeiro: o DJ João Victor Dias Braga, de 22 anos, foi morto durante uma operação militar. A família do jovem acusou os policiais de terem confundido uma furadeira com um fuzil, o que teria feito com que eles disparassem contra João Victor.

Saco de pipoca confundido com drogas

Um caso similar aconteceu em 2016, no Morro do Borel, na zona norte do Rio de Janeiro. Policiais militares atiraram na cabeça Jhonata Dalber Matos Alves, de 16 anos, que carregava um saco de pipoca – os PMs teriam confundido o objeto com drogas.

Na época, a PM alegou que Jhonata foi atingido durante uma “troca de tiros com traficantes”

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