Biblioteca que funciona em cemitério de SP é despejada para criação de mais túmulos

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RIO — A Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura (BCCL), que funciona há 12 anos dentro do Cemitério Colônia, em Parelheiros, na cidade de São Paulo, recebeu ordem de despejo e precisa desocupar o espaço até 31 de dezembro. A empresa que administra o local vai construir novos túmulos onde hoje estão os livros.

A BCCL ocupa a antiga casa do sepultador, abriga mais de 5 mil obras literárias e promove atividades culturais, como o Sarau do Terror, o Sarau das Mulheres e o projeto Sementes de Leitura. Ainda negociando a doação de um terreno para a nova sede, a gestão da biblioteca pretende deixar parte do acervo com os moradores da comunidade, a partir de 1º de janeiro de 2022, segundo informações da Folha de São Paulo.

De acordo com o jornal paulista, a diretoria da Associação Cemitério dos Protestantes (Acempro), que administra o cemitério privado Colônia, enviou em fevereiro uma carta-intimação extrajudicial para a gestão da biblioteca. O documento informava que o espaço ocupado pelos livros deveria ser desocupado pois no mesmo local seriam construídos novos túmulos.

A biblioteca conta com o apoio do Instituto Brasileiro de Estudo e Apoio Comunitário (Ibeac) e ocupa a casa do sepultador desde 2009, por meio de um contrato de comodato. Trata-se de um empréstimo gratuito no qual o usuário precisa devolver após o fim do acordo. Dessa vez, ele não será renovado.

A carta-intimação extrajudicial solicitava a desocupação da casa do sepultador em um mês. Após uma negociação, a gestão da biblioteca conseguiu ampliar o período para o fim deste ano, explicou o gestor da BCCL, Rafael Simões, em entrevista à Folha.

Mas a partir de janeiro, a casa do sepultador precisa estar vazia. Para isso, uma campanha foi lançada para estimular a participação da comunidade na guarda do acervo. Intitulada “Eu (a)guardo a Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura”, a iniciativa consiste na distribuição de sacolas com 10 livros para as pessoas que quiserem ser guardiãs do acervo.

No entanto, nem todas as obras serão disponibilizadas para a salvaguarda dos moradores. Os livros considerados como de referência, de conteúdo adulto ou que foram autografados pelos escritores, ficarão armazenados em um depósito na região, informa a Folha.

Enquanto providencia o esvaziamento da casa do sepultador, a BCCL negocia a doação de um terreno para construção da nova sede, que também ficará na região. Além dos livros, o espaço maior permitirá o desenvolvimento de outros projetos, como a construção de uma horta comunitária.

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