Bicampeão da Série B, Botafogo busca fórmula para se estabilizar na elite

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O Botafogo já tinha subido. Agora é bicampeão da Série B, aquele título agridoce, que divide o coração do torcedor: ao mesmo tempo que a segunda taça veio com a marca de uma ótima arrancada no returno, resgatando uma sintonia entre time e torcida — com direito à expectativa de 40 mil torcedores na festa da taça, domingo, no Nilton Santos — o alvinegro deseja nunca mais celebrá-lo.

A comemoração, no caso dos alvinegros, deve ser até prolongada, de ontem, após a vitória sobre o Brasil-RS por 1 a 0, gol de Diego Gonçalves (o time se beneficiou da derrota do Coritiba para o CSA), até o próximo domingo, quando enfrentará o Guarani no Nilton Santos, no jogo em que levantará a taça. Mas ainda assim estará sempre intercalada com a pergunta: como não cair novamente e evitar a necessidade de campanha pelo tri?

O fenômeno do time ioiô é recorrente no futebol brasileiro. A Chapecoense, que caiu em penúltimo em 2019, foi campeã da Série B em 2020 com grande campanha. Este ano, está matematicamente rebaixada para a segunda divisão desde a 31ª rodada. O Coritiba, que sobe este ano com o Botafogo, não consegue emplacar uma sequência firme na elite desde 2017.

Começo difícil

O primeiro ano é sempre o mais difícil. O clube precisa caminhar no fio da navalha, entre a necessidade de fortalecer o futebol e também respeitar seu orçamento, ainda inferior ao dos times que já estão há mais tempo na divisão superior.

O desconforto começa já no olhar para dentro: reconhecer que um elenco vencedor da Série B provavelmente não dá conta de uma Série A com adversários bem mais qualificados, técnica e até fisicamente. O Botafogo terá de passar por esse processo duro de reestruturação, batalhando para manter os mais valorizados, com a concorrência de clubes mais fortes — caso de Navarro, desfalque quase certo em 2022 —, e dispensando aqueles que bateram no teto de desempenho.

— É preciso entender rapidamente o tamanho, a grandeza e o nível de disputa da Série A. É uma competição bem diferente, desde a qualidade dos gramados até o nível dos adversários, passando pela arbitragem. São muitas variáveis e o clube deve estar cercado de profissionais que conheçam bem a competição — afirmou Marcelo Paz, presidente do Fortaleza.

O dirigente fala com conhecimento de causa. A equipe subiu à Série A pela última vez no ano de seu centenário, em 2018, com o título da Série B. Em 2019, fez boa campanha na elite, terminando na nona colocação. Ano passado, se segurou na primeira divisão com o 16º lugar, e era justamente de dois anos na elite que precisava para respirar melhor. Este ano, é quinto colocado, com a vaga na Libertadores, a primeira de sua história, muito bem encaminhada. Para a alegria de Paz:

— De início, você vai brigar mais na parte inferior da tabela. Por isso, é preciso montar um elenco com esse perfil, dentro de uma realidade econômica difícil, porque você não tem tanta receita quanto quem já está na Série A. Existe o risco da contratação: para trazer jogadores mais qualificados, eles querem contratos de dois anos ou mais. E quem está gerindo fica em dúvida de dar um contrato mais longo para esse jogador, ciente do risco de cair novamente e ficar com a conta altíssima que não pode pagar.

Largada atrás

A desvantagem de quem sobe da segunda para a primeira divisão não se resume ao aspecto financeiro. O planejamento é mais difícil de ser executado. Ao menos metade das equipes da Série A já têm noção, na metade da temporada, de que seguirão na elite no ano seguinte e podem trabalhar em função dessa realidade. Já o Botafogo, assim como os outros três que subirem este ano, estará saindo atrás, uma vez que somente é possível confirmar seu destino ao fim da Série B.

— Muitos times da Série A, em agosto, já estão mapeando o mercado, acionando jogadores. O Botafogo pode até ter algo em vista, mas é impossível fazer acordos, assinar pré-contratos, sem ter a definição de algo tão importante — ressaltou Renê Simões, técnico do alvinegro em parte da campanha do primeiro título da Série B, em 2015.

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