BID: Sem apoio de Lula a Goldfajn, México articula outro candidato para comandar banco multilateral

Com a indefinição do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a indicação do ex-presidente do Banco Central do Brasil Ilan Goldfajn à presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), México e Argentina começam a se movimentar com possíveis alternativas para o comando do organismo multilateral sediado em Washington, um dos cargos mais importantes do mundo das finanças nas Américas.

O México deverá retirar sua proposta de indicar a ex-funcionária das Nacões Unidas Alicia Bárcena como candidata à presidência do BID e apresentar a candidatura do subgovernador do banco central mexicano, Gerardo Esquivel, até sexta-feira, data-limite para as inscrições, segundo fontes ouvidas pela agência Bloomberg.

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Na vizinha Argentina, o ministro da Economia, Sergio Massa, foi cortejado por senadores americanos para disputar o cargo. O presidente do Chile, Gabriel Boric, já inscreveu o ex-ministro de Finanças Nicolas Eyzaguirre, apesar de ele ter poucas chances.

Faltando pouco mais de uma semana para a eleição do novo presidente de uma instituição-chave para as Américas, e com Goldfajn já inscrito pelo governo de Jair Bolsonaro como candidato, a região está na expectativa de uma sinalização — explícita ou tácita — de Lula, já que o entorno do presidente eleito se divide entre manter ou retirar o apoio à candidatura do brasileiro. Está em jogo a possibilidade de o Brasil exercer a presidência da instituição pela primeira vez desde que foi criado o BID, há 63 anos.

Os EUA, um dos principais sócios do BID e com grande capacidade de influenciar a eleição, tem resistências ao nome de Bárcena, cujo nome havia sido ventilado pelo presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador em setembro. Dessa forma, o mandatário resolveu escolher outro candidato, que inclusive já teria sido apresentado ao BID, disse uma das fontes ouvidas pela Bloomberg. A Presidência do México e Esquivel não quiseram comentar.

Esquivel é um economista e acadêmico mexicano que atua no banco central do país desde janeiro de 2019. Estudioso de temas relacionados à desigualdade social, foi responsável pela revisão técnica e tradução para o espanhol do livro O Capital no Século XXI, best seller do francês Thomas Piketty.

Corte dos EUA a ministro argentino

Segundo a Bloomberg, senadores americanos recentemente conversaram com o ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, sobre a possibilidade de ele se tornar um candidato a liderar o banco de desenvolvimento regional.

O argentino teve um encontro em Washington para tratar da eleição do BIC com senadores como o democrata Bob Menendez, que é presidente da comissão de relações internacionais do Senado americano, segundo fontes. Os parlamentares disseram que ele teria grande chance de ser eleito, já que é um operador político muito experiente.

Um porta-voz de Massa confirmou que ele e os senadores americanos conversaram sobre o BID, mas negou ter discutido a possibilidade de ele se tornar candidato. Se o governo argentino realmente quiser apresentar o nome dele, terá de fazer no máximo até sexta-feira, quando termina o prazo de inscrições.

Segundo O GLOBO apurou, vários governos latino-americanos estariam dispostos a apoiar a candidatura de Goldfajn se Lula decidir não se opor à indicação feita pelo governo Bolsonaro — com escolha do ministro da Economia, Paulo Guedes — do ex-presidente do Banco Central, que atualmente é diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas até agora Lula não fez qualquer gesto.

Os candidatos serão conhecidos na próxima sexta-feira à noite. A assembleia do BID, composta em sua maioria pelos ministros da área de finanças dos 48 países-membros da instituição, poderão entrevistar os candidatos na próxima semana e escolher o vencedor até o dia 20 de novembro.