BID sugere a Brasil e América Latina testagem em massa em transição do Covid-19

Por Ricardo Brito
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Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sugere ao Brasil e aos demais países da América Latina e do Caribe que adotem um isolamento generalizado para controlar a propagação do novo coronavírus e, no momento da transição para o livre deslocamento, testem a população em larga escala para permitir a detecção de pacientes assintomáticos e a identificação de agrupamentos e cadeias de contatos.

No novo relatório "A política de combate à COVID‐19: Recomendações para a América Latina e o Caribe", obtido pela Reuters e divulgado nesta quinta-feira, o BID defende que, em paralelo a essas medidas, é imperativo garantir um piso mínimo de renda para todas as famílias, assim como preparar respostas fiscais, financeiras e monetárias para proteger trabalhadores e empresas.

O banco defendeu que se usem programas e instrumentos já existentes e citou que alguns países da região, como o Brasil, já têm programas de transferência condicionada de renda (TCR) de grande envergadura.

"Nesses países, a cobertura das TCR poderia ser ampliada. Essa política é uma forma prática de transferir recursos a famílias que são, em média, mais pobres do que outras. No entanto, também tem limitações", afirmou o documento.

Entre outras recomendações, a instituição sugere uma atuação coordenada dos países, com a adoção de medidas de transparência e comunicação para que gestores conquistem o engajamento da população, especialmente em medidas de isolamento social, conforme nota divulgada pela assessoria do banco.

"A criação de unidades de coordenação no mais alto nível para monitorar metas e prazos, manter altos níveis de transparência nas despesas e contratações, assim como assegurar a comunicação contínua e coerente estão entre as recomendações", informou a nota.

Diante de um avanço rápido no Brasil nos casos de infecção e mortes por Covid-19, o Ministério da Saúde decidiu intensificar a testagem em massa da população.

Não tem havido, contudo, uma ação coordenada efetiva entre o governo federal e Estados e municípios na adoção de medidas de isolamento social e de transição para a retomada das atividades econômicas.

Por um lado, o governo federal tem sido o principal responsável por programas mais amplos de auxílio, com medidas e recursos a entes federados e a trabalhadores e empresas paralisados pela pandemia --o documento cita as iniciativas adotadas.

Por outro, o presidente Jair Bolsonaro tem defendido publicamente uma imediata retomada das atividades e criticado fortemente a atuação de governadores e prefeitos que decretaram medidas mais duras de isolamento social.

Nesta quinta-feira, o presidente que não tem seguido ele próprio recomendações de distanciamento social em diversas aparições públicas, afirmou que o lockdown --forma mais restrita de isolamento, já adotada em pelo menos três zonas metropolitanas no país-- é "o caminho do fracasso".