Biden é pressionado nos EUA para agir contra hackers e ransomware 'russos'

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O presidente russo Vladimir Putin (à esquerda) cumprimenta o presidente americano Joe Biden antes da cúpula bilateral realizada em Villa La Grange, em Genebra, Suíça, em 16 de junho de 2021

Altos funcionários dos Estados Unidos se reuniram na Casa Branca nesta quarta-feira (7) para avaliar ações destinadas a impedir ataques de ransomware, enquanto aumentava a pressão sobre o presidente Joe Biden para que tome medidas contra a Rússia em razão dos recentes ciberataques.

Dias depois de centenas de empresas nos Estados Unidos e cerca de 1.500 ao redor do mundo terem seus sistemas de computador aparentemente sequestrados pelo grupo REvil, baseado na Rússia, surgiram apelos por contra-ataques duros por cibersoldados do Pentágono e também exigindo mais sanções contra Moscou.

A reunião, que contou com a presença de funcionários dos departamentos de Estado, Segurança Nacional, Justiça e Inteligência, também veio após a notícia de que supostos hackers russos haviam tentado invadir os sistemas do comitê nacional do partido de oposição, o Republicano.

Depois do encontro, Biden disse a repórteres que enviaria uma mensagem ao presidente russo, Vladimir Putin, sobre o assunto, sem dar mais detalhes.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que a reunião desta quarta tratou de um "esforço de todo o governo para agir contra os ataques de ransomware".

“O presidente tem uma gama de opções se decidir agir” contra os agressores, acrescentou. Psaki, no entanto, não disse que medidas Biden está considerando tomar.

- Apelos por mais sanções -

Como os ataques continuaram três semanas depois que Biden levantou a questão em conversas diretas com Putin em uma cúpula em Genebra, houve mais pedidos para que o governante americano retaliasse.

Em um artigo de opinião publicado pelo The Washington Post nesta quarta, o especialista em cibersegurança Dmitri Alperovitch e o especialista em Rússia do Wilson Center, Matthew Rojansky, instaram Biden a sancionar as empresas russas de petróleo e gás, uma das principais fontes de financiamento de Moscou.

“Antes que esses devastadores ataques de ransomware se tornem rotineiros, o presidente Biden deve apresentar uma exigência calma, mas contundente: o presidente russo, Vladimir Putin, deve interromper imediatamente essa atividade ou Washington endurecerá as sanções à economia russa”, escreveram eles.

Um grupo de legisladores republicanos disse em um comunicado que os repetidos ataques cibernéticos deixam claro que Putin "ignorou" as advertências de Biden.

“Putin não deterá esses criminosos a menos que saiba que enfrentará consequências reais e graves se não o fizer”, opinaram.

- Resgate de 70 milhões -

Psaki, por sua vez, observou que funcionários da segurança nacional da Casa Branca comunicaram sua preocupação a seus colegas russos.

E funcionários de segurança cibernética dos Estados Unidos e da Rússia têm uma reunião programada para a próxima semana para abordar o problema do ransomware.

Porém, o ataque mais recente do REvil sugere que Moscou falhou em tomar medidas para domar os cibercriminosos.

Nesta quarta-feira, em seu "Happy Blog" na dark web, o REvil continuava postando dados privados de empresas cujos computadores eles invadiram para pressioná-los a pagar um resgate.

O grupo também se ofereceu para liberar publicamente a chave para desbloquear todos os dados das empresas em troca de um pagamento único de 70 milhões de dólares.

Quando questionado sobre as represálias, a secretária de imprensa da Casa Branca afirmou que as autoridades ainda estão cautelosas em atribuir culpa pelos ataques mais recentes e não garantiram que o governo russo seja diretamente responsável por eles.

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, disse na terça-feira que não discutiriam as capacidades ou ações específicas de seu Cyber Command, que pode realizar ataques ofensivos e retaliatórios online.

“Todos estamos cientes dessas ameaças crescentes à segurança nacional, assim como à infraestrutura civil”, declarou Kirby.

"Acreditamos que uma resposta dos Estados Unidos a essas ameaças deve vir de todo o governo" e que não pode ser apenas uma responsabilidade militar, acrescentou.

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