Biden acusa China de reter 'informação crucial' sobre as origens do coronavírus

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (AFP/Nicholas Kamm)
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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, acusou na sexta-feira a China de reter "informação crucial" sobre as origens da pandemia de covid-19, após ter acesso a um relatório de inteligência que não desvendou a questão do surgimento do vírus.

"Há informação crucial sobre as origens desta pandemia na República Popular da China, mas desde o início, as autoridades do governo chinês têm trabalhado para impedir que pesquisadores internacionais e membros da comunidade global de saúde pública tenham acesso a ela", declarou Biden.

"Até hoje, a República Popular da China continua a rejeitar os apelos por transparência e a reter informações, embora o número de vítimas desta pandemia continue aumentando", acrescentou.

O relatório confidencial foi entregue na terça-feira a Biden, que deu aos serviços de inteligência americanos 90 dias para "redobrar seus esforços" para explicar a origem da covid-19.

Em reação, a embaixada da China em Washington acusou o serviço de inteligência americano de "manipulação política".

"O relatório da comunidade de inteligência americana mostra que os Estados Unidos estão empenhados em seguir pelo caminho equivocado da manipulação política", afirmou a embaixada em um comunicado.

O texto "serve apenas para fazer da China um bode expiatório", completa a nota.

O vírus da covid-19 não foi desenvolvido "como uma arma biológica" e "provavelmente" não foi projetado "geneticamente", teria concluído o relatório, de acordo com o resumo divulgado.

Mas a comunidade de inteligência americana continua dividida sobre se o primeiro caso foi causado por exposição natural a um animal infectado ou por um acidente de laboratório.

Especificamente, quatro agências de inteligência americanas e o Conselho Nacional de Inteligência acreditam com "um baixo grau de confiança" que a hipótese animal é a mais "provável".

Para justificar sua avaliação, os órgãos competentes contam em particular com "os muitos vetores de exposição a animais" que existem, bem como com a ignorância da China sobre a existência do vírus antes de seu aparecimento.

"A comunidade de inteligência dos EUA acredita que as autoridades chinesas não tinham conhecimento prévio do vírus antes do início da epidemia", diz o resumo.

No entanto, outra agência de inteligência considera com "um nível moderado de confiança" que a tese de um vazamento de laboratório é a mais plausível, "provavelmente" por meio de experimentos, manuseio de animais ou amostras do Instituto de Virologia de Wuhan".

Finalmente, outras três agências não comentam sobre uma ou outra das hipóteses.

Os serviços de inteligência são considerados "incapazes de fornecer uma explicação mais definitiva" da origem do coronavírus sem "novas informações" fornecidas pela China, de acordo com o resumo do relatório divulgado.

Quase 4,5 milhões morreram de covid-19 desde que o escritório da Organização Mundial da Saúde na China relatou o primeiro caso da doença em dezembro de 2019.

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