Biden adota postura firme frente à Rússia em seu primeiro contato com Putin

Sebastian Smith
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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, teve sua primeira conversa por telefone com seu contraparte russo, Vladimir Putin, na qual expressou seu apoio à Ucrânia diante da "agressão" de Moscou e sua preocupação com o "envenenamento" do opositor russo Alexei Navalny.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse nesta terça-feira (26) que Biden ligou para Putin para discutir sua disposição de estender o tratado de desarmamento nuclear New START e que na conversa ele expressou preocupação com o "envenenamento de Navalny".

Navalny foi preso em 17 de janeiro ao retornar a Moscou, depois de passar mais de cinco meses na Alemanha se recuperando de um quadro que, segundo ele, foi resultado de um envenenamento realizado por serviços russos por ordem do presidente, o que o Kremlin nega.

Nesta terça, os países do G7 condenaram sua detenção "por motivos políticos" e pediram sua "libertação imediata e incondicional", assim como a de seus apoiadores detidos no sábado durante manifestações em toda a Rússia.

Biden também se referiu ao "forte compromisso" de Washington com a soberania ucraniana frente à "contínua agressão da Rússia".

Os dois líderes também abordaram questões como a suposta interferência russa nas eleições americanas de 2020 e relatos de que Moscou está distribuindo recompensas ao Talibã por matar soldados americanos no Afeganistão.

"Sua intenção era deixar claro que os Estados Unidos agirão com firmeza na defesa de nossos interesses nacionais, em resposta a ações maliciosas por parte da Rússia", concluiu a porta-voz.

De acordo com um comunicado da Casa Branca, os dois líderes "concordaram em manter uma comunicação transparente e consistente no futuro".

- "Normalização" -

Por sua vez, o Kremlin indicou que o presidente russo apoiava a "normalização" das relações russo-americanas e afirmou que isso "atenderia aos interesses de ambos os países e também de toda a comunidade internacional".

A chamada ocorreu depois que o Kremlin informou nesta terça-feira que a Rússia e os Estados Unidos estão negociando a extensão do tratado New START, assinado em 2010, que limita a 1.550 o número de ogivas nucleares que podem ser implantadas pela Rússia e os Estados Unidos. Ambos os países controlam os maiores arsenais nucleares do mundo.

Putin informou que enviou um projeto ao Parlamento para estender por cinco anos o acordo que expira nesta semana.

De acordo com o esboço publicado pela câmara baixa da Duma, ambos os lados "concordaram a princípio" em prorrogar o tratado.

Após a conversa, a presidência russa indicou que Putin e Biden "expressaram satisfação" com a ampliação das negociações e acrescentou que nos próximos dias ambas as partes cumprirão os procedimentos necessários para garantir seu funcionamento.

Esse avanço aumenta a expectativa de que haverá uma maior estabilidade entre os dois países do mundo com os maiores arsenais nucleares, após as incertezas do governo Donald Trump, que teve fim na última semana.

O presidente republicano havia sugerido a prorrogação do acordo por um ano, mas as discussões foram congeladas pela insistência dos Estados Unidos em verificações mais exaustivas sobre o arsenal nuclear.

O Kremlin acrescentou que os dois presidentes também discutiram sobre "o problema de preservar" o acordo nuclear iraniano.

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