Biden alerta para 'consequências devastadoras' se Trump não sancionar pacote de alívio

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Os democratas da Câmara de Representantes falharam na tentativa de aumentar o valor do benefício concedido às pessoas em dificuldades em meio à pandemia

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, alertou neste sábado (26) para as "consequências devastadoras" para milhões de cidadãos em dificuldades se o presidente em fim de mandato, Donald Trump, não sancionar o robusto pacote de estímulo econômico aprovado pelo Congresso.

Após meses de negociações, os legisladores aprovaram na segunda-feira um pacote de apoio à economia no valor de 900 bilhões de dólares, mas Trump o rejeitou, pedindo, entre outras coisas, um aumento na ajuda direta às famílias.

"Essa abdicação de responsabilidade tem consequências devastadoras. Hoje, cerca de 10 milhões de americanos perderão os recursos do seguro-desemprego", advertiu Biden, referindo-se à expiração do benefício, a partir deste sábado, em plena crise devido à pandemia de covid-19.

Além do plano de estímulo à economia para mitigar os impactos do novo coronavírus, o Legislativo aprovou um projeto de financiamento de US$ 1,4 trilhão, sem o qual o governo será forçado a fechar as portas à meia-noite de segunda-feira.

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"Em apenas alguns dias, o financiamento do governo vai expirar, colocando em risco serviços vitais e os pagamentos de militares", acrescentou Biden.

"Em menos de uma semana, uma moratória sobre os despejos expira, colocando milhões de pessoas em risco de serem expulsos de suas casas durante as festas de fim de ano", afirmou.

Em um vídeo na terça-feira, Trump, que deixará o cargo em menos de um mês, chamou o pacote 900 bilhões de dólares de "uma desgraça", apesar de ter sido aprovado na véspera por uma grande maioria bipartidária após meses de negociação.

"Eu simplesmente quero que nosso grande povo receba 2 mil dólares, em vez dos míseros US$ 600 que estão agora no projeto", reiterou Trump no Twitter neste sábado.

A ação coloca o presidente republicano em desacordo com seus colegas de partido, Mitch McConnell, líder da maioria no Senado, e Kevin McCarthy, líder da minoria na Câmara, que descartaram quaisquer medidas maiores.

"Atraso significa que mais pequenas empresas não sobreviverão a este inverno sombrio [...] e os americanos enfrentam mais atrasos para receber os pagamentos diretos que merecem", declarou Biden.

É quase sem precedentes para um presidente vetar um projeto de lei que recebeu um apoio bipartidário tão grande.

Porém, seu veto a um projeto de financiamento da Defesa, o NDAA, garante que os congressistas retornarão a Washington após o Natal para anular a ação.

E enquanto o Congresso também quase certamente anularia um veto presidencial ao pacote de financiamento, Trump poderia forçar um "veto de bolso", simplesmente se recusando a assinar o projeto até que o atual mandato do Congresso termine e a nova legislatura se inicie em 3 de janeiro.