Biden ambicioso continua pressionado por um Congresso dividido

Elodie CUZIN
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El presidente de Estados Unidos, Joe Biden, dirigiéndose al Congreso, en Washington, el 28 de abril de 2021

Em seu primeiro discurso ao Congresso, Joe Biden pediu aos legisladores que pensassem grande. Mas seus grandes planos de investimento ainda precisam superar o obstáculo de um ambiente profundamente dividido que está colocando à prova suas autoproclamadas habilidades de negociação.

"Os Estados Unidos estão avançando novamente. E não podemos parar!", afirmou o 46º presidente americano diante dos legisladores reunidos no Capitólio na noite de quarta-feira.

"Os investimentos em empregos e infraestrutura como os que estamos considerando muitas vezes se beneficiaram do apoio" dos partidos Republicano e Democrata, afirmou.

"Então vamos trabalhar", ressaltou Biden.

Ao ultrapassar, nesta quinta-feira, o marco simbólico dos primeiros 100 dias no poder, sua visão de ampla cooperação entre as duas partes ainda parece muito, muito distante.

Embora em março ele tenha conseguido a rápida aprovação de um vasto plano para apoiar a economia americana atingida pela pandemia, seus outros dois colossais projetos de investimento - infraestrutura "para empregos" e outro "para famílias" - envolvendo vários trilhões de dólares, não têm como certo o mesmo destino.

Biden certamente pode contar com maiorias na Câmara e no Senado, mas suas margens são tão estreitas, especialmente entre os senadores, que uma única deserção colocaria em risco seus planos.

Os democratas poderiam contar com uma regra que lhes permita contornar, de forma excepcional e somente para algumas iniciativas, um obstáculo de peso no Senado que os obriga a conseguir 60 votos, dos 100, para vencer na votação final.

Se conseguirem superar esse obstáculo, uma maioria simples será suficiente para que seus dois grandes projetos recebam a aprovação parlamentar.

Eles têm o mesmo número de senadores que a oposição republicana (50 cada), mas a vice-presidente Kamala Harris tem um voto de desempate.

Porém mesmo nesse cenário, o presidente "simplesmente não tem margem para erro", disse Kyle Kondik, especialista em Ciência Política da Universidade da Virgínia.

"A menos que ele consiga de alguma forma o apoio republicano. Mas isso implicaria em uma aceitação" de medidas muito menos ambiciosas do que as que apresentou.

No entanto, se o presidente pretende negociar com os republicanos, pode perder apoio em seu próprio partido, de figuras progressistas como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez aos senadores centristas Joe Manchin e Kyrsten Sinema.

"As partes simplesmente não estão em sintonia com essas propostas", conclui Kyle Kondik.

- "Sandernistas" -

Entre os republicanos cresce o descontentamento contra um presidente que, segundo eles, esqueceu suas origens moderadas para alinhar-se aos "radicais" da esquerda.

"Deve parar de ouvir 'Sandernistas'", defende o senador republicano Chuck Grassley à AFP, brincando com o nome de Bernie Sanders.

"O presidente Biden deve ser o que o senador Biden foi" por mais de 35 anos, continuou o conservador.

"Os americanos elegeram um Senado por 50-50, com estreita maioria na Câmara, e um presidente que pregava moderação. (...) Mas esses primeiros 100 dias deixam muito a desejar", denunciou o líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, antes do discurso de Biden, pelo qual ele mais tarde aplaudiu muito pouco.

"No entanto, não é tarde demais", acrescentou.

Os democratas ainda podem "fomentar o consenso em vez de aprofundar nossas divisões", ressaltou.

Para Jenna Bednar, professora de Ciência Política da Universidade de Michigan, Biden deve acima de tudo convencer os opositores e democratas centristas que podem não querer apoiar seus planos de que "os projetos são muito populares entre seus eleitores".

O deputado democrata Eric Swalwell estava confiante na noite de quarta-feira.

Biden "já conseguiu" aprovar o plano de estímulo econômico e seus dois novos grandes projetos são "populares entre os americanos", disse ele à AFP.

"Os republicanos aqui", no Congresso, "vão ficar do lado dos republicanos em todo o país?", se perguntou.

"Eles continuarão dificultando apenas por dificultar ou trabalharão conosco em programas populares?", finalizou.

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