Biden anuncia força-tarefa para combater Covid-19 formada por médicos

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WASHINGTON — Em seu primeiro dia útil como presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden anunciou nesta segunda-feira quem serão os integrantes de sua força-tarefa para combater a pandemia de Covid-19. Todos os nomes anunciados pelo democrata, que defende uma abordagem oposta à resposta anticiência do presidente Donald Trump, são médicos ou especialistas de saúde.

O anúncio veio horas após os EUA chegarem a 10 milhões de casos registrados da doença, segundo a agência Reuters, mais do que qualquer outro país do planeta. Apenas nos últimos dez dias, enquanto os americanos se preparavam para ir às urnas, o país contabilizou cerca de 1 milhão de novas infecções. Em cinco dos últimos sete dias, os diagnósticos diários ultrapassaram 100 mil no país. Até o momento, mais de 237 mil americanos já morreram.

A força-tarefa, primeiro passo concreto do governo de transição de Biden e Kamala Harris, será liderada pelos médicos David Kessler, que foi diretor do FDA, a Anvisa americana, durante os governos de George H. W. Bush e Bill Clinton; Marcella Nunez-Smith, da faculdade de Medicina da Universidade Yale; e Vivek Murthy, que foi chefe do Serviço de Saúde Pública nos EUA durante o governo de Barack Obama. Segundo o jornal Washington Post, a equipe já dava briefings a Biden durante a campanha.

“Lidar com a pandemia de coronavírus é uma das batalhas mais importantes que o nosso governo enfrentará, e eu serei informado por cientistas e especialistas”, disse em comunicado o presidente eleito. “O conselho vai ajudar a moldar minha abordagem para lidar com o aumento das infecções, garantir que vacinas são seguras, efetivas e distribuídas de modo eficiente, igualitário e gratuito e protegendo populações em risco.”

Biden e Harris terão uma reunião com o grupo em Wilmington, cidade no estado de Delaware onde o presidente eleito mora, e, posteriormente, darão uma entrevista coletiva sobre seus planos para fazer frente à crise sanitária e recuperar a economia.

Entre os outros 10 integrantes do conselho está Rick Bright, antigo funcionário da Autoridade para Pesquisa e Desenvolvimento de Pesquisas Avançadas em Biomedicina no início do ano. Segundo Bright, ele foi demitido após questionar a defesa de Trump à cloroquina, droga sem qualquer evidência científica de eficiência contra o coronavírus. O grupo também inclui outros especialistas renomados nos EUA, como Zeke Emanuel, da Universidade da Pensilvânia, Atual Gawande, de Harvard, e Eric Goosby, que coordenou a política do governo Obama de combate ao HIV.

Eles trabalharão em contato com os estados e cidades para criar políticas econômicas e de saúde pública para lidar com o vírus, tentar conter seu impacto ainda mais devastador entre grupos minorias, e elaborar planos para reabrir escolas com segurança. Entre as iniciativas mais ambiciosas do novo governo democrata estão a testagem gratuita e a criação de uma força-tarefa com 100 mil pessoas para realizar o rastreio de contatos.

Biden planeja ainda pedir ajuda de governadores, independente de seus partidos, para desenvolver uma resposta consistente à pandemia, segundo o Washington Post. Entre seus planos, pretende fazer um apelo para ordens estaduais para o uso de máscaras em público, diretrizes claras para manter o distanciamento social.

A abordagem vai na contramão da resposta do governo Trump à pandemia, que se recusa a ouvir especialistas e, não raramente, os contraria em público, como fez com o epidemiologista-chefe da Casa Branca. O atual presidente ainda sequer concedeu a derrota nas eleições da semana passada, alegando ter sido vítima de fraude eleitoral, mesmo sem qualquer evidência disto.

Trump, que põe os EUA em risco de uma crise institucional com sua conduta, lançou uma série de processos para contestar o resultado do pleito nos estados mais disputados, alegando fraudes e demandando recontagens. Além disso, planeja também realizar comícios para mobilizar sua base. Seus avanços, no entanto, têm poucas chances de serem bem-sucedidos, alertam especialistas, e, segundo a imprensa americana, há pessoas próximas ao presidente que o instam a reconhecer sua derrota.

Por mais que a campanha de Biden dê sinais de que não vai esperar o atual ocupante da Casa Branca ceder para começar a transição, a Administração de Serviços Gerais do governo ainda não reconheceu o resultado da eleição. Até que isto aconteça, a equipe democrata não terá acesso às agências federais ou às verbas destinadas para a transição.