Biden apresenta equipe para executar ambiciosa agenda ambiental

Trevor Hunnicutt
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Por Trevor Hunnicutt

WILMINGTON, Delaware (Reuters) - O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, apresentou no sábado sua equipe de meio ambiente e energia, um grupo que quebrou paradigmas e que buscará fazer avançar uma ambiciosa agenda ambiental para reverter muitas das políticas do governo do presidente Donald Trump.

Michael Regan será o primeiro negro no comando da Agência de Proteção Ambiental (EPA), se for confirmado pelo Senado, e a deputada Deb Haaland, nomeada como secretária do Interior, será a primeira indígena norte-americana a ocupar um cargo de primeiro escalão no governo.

“Este momento é profundo quando consideramos o fato de que um antigo secretário do Interior uma vez declarou que seu objetivo, usando uma citação, era nos ‘civilizar ou exterminar’”, disse Haaland, se referindo a comentários feitos por Alexander H.H. Stuart, em 1851. “Eu sou prova viva de que essa horrível ideologia falhou”.

Biden, democrata que tomará posse em 20 de janeiro, prometeu que enfrentar as mudanças climáticas será a sua prioridade, mas, com uma apertada maioria na Câmara e com o controle do Senado ainda indefinido, sua agenda pode encontrar pouco sucesso no Congresso e depender de regras de suas agências regulatórias para aplicar mudanças radicais.

Biden, que foi vice-presidente de Barack Obama, escolheu a administradora da EPA no governo Obama, Gina McCarthy, para um novo cargo, como conselheira nacional do clima.

A ex-governadora do Michigan Jennifer Granholm será a secretária de Energia de Biden, se for confirmada.

“Os indicados estarão prontos para trabalhar a partir do primeiro dia, o que é essencial porque, literalmente, não temos tempo a perder”, disse Biden, em uma entrevista coletiva em Delaware, onde mora.

Grupos ambientais no geral elogiaram a equipe pela experiência e diversidade, mas a poderosa indústria do petróleo, frequentemente criticada por Biden, argumentou que ele precisa equilibrar a agenda climática com a preservação de empregos.

Biden quer que os Estados Unidos consigam zerar as emissões de gases do efeito estufa até 2050, o que exigirá que o segundo maior emissor do mundo transforme sua economia, incluindo nas áreas de transporte, geração de energia e agricultura.

Ele diverge bastante do republicano Trump, que retirou os EUA do Acordo de Paris e afrouxou ou desmembrou regulações climáticas que o seu governo considerou prejudiciais à economia.

O presidente eleito também conversou no sábado com o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, sobre uma “nova abordagem” para a imigração regional e suas causas na América Central, afirmou a equipe de transição de Biden.

Trump, no sábado, continuou a declarar de maneira falsa pelo Twitter que a eleição foi roubada por uma fraude eleitoral.

O presidente conversou na noite de sexta-feira com Sidney Powell, uma advogada da sua equipe legal que questiona os resultados da eleição, sobre potencialmente indicá-la como conselheira especial do governo para investigar alegações de fraude eleitoral, segundo uma fonte com conhecimento da reunião.

Powell tem promovido teorias de conspiração sobre urnas eleitorais manipuladas.

Não ficou claro se Trump pretende levar o plano adiante. Tanto o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, quanto o advogado da Casa Branca, Pat Cipollone, discordaram veementemente da ideia, disse a fonte.

(Reportagem de Trevor Hunnicutt, em Wilmington; Reportagem adicional de Jarrett Renshaw, Steve Holland e Timothy Gardner)