Biden ataca leis para restringir acesso ao voto em discurso duro no berço da democracia dos EUA

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em discurso duro e acalorado no berço da democracia americana nesta terça (13), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chamou as propostas de restrição do acesso ao voto de ameaça ao país e pediu aos americanos que se unam para proteger o sistema eleitoral.

"Há um atentado em curso nos Estados Unidos hoje, uma tentativa de suprimir e subverter o direito ao voto e a eleições livres e justas. Um atentado à democracia, um atentado à liberdade, um atentado a quem nós somos", disse, a uma plateia de ativistas, conselheiros e autoridades locais na Filadélfia.

Foi na cidade, que fica entre Washington e Nova York, onde os líderes da Revolução Americana se reuniram no século 18, declararam independência do Reino Unido e escreveram a Constituição do país, no Independence Hall, a poucos metros do National Constitution Center, de onde Biden discursou nesta terça.

A fala foi uma reação a leis em discussão em estados comandados por governadores republicanos. Desde a derrota de Donald Trump, em novembro do ano passado, legisladores republicanos protocolaram centenas de projetos de lei para fazer do ato de votar mais difícil para pessoas negras e vulneráveis, em uma investida vista por especialistas como a mais perigosa desde as chamadas leis Jim Crow, que legalizaram a segregação racial no final do século 19.

De acordo com levantamento do Brennan Center for Justice, da Universidade de Nova York, pelo menos 17 estados aprovaram neste ano propostas que restringem o acesso ao voto. Nos Estados Unidos, cada um dos 50 estados pode definir como serão suas eleições, inclusive as nacionais, para deputados, senadores e presidente.

Um exemplo vem da Geórgia, que aprovou a exigência de mais documentos para votar, diminuiu os locais de votação e proibiu a distribuição de água e comida nas filas.

Já no Texas, o legislativo proibiu que cédulas eleitorais para votação antecipada ou por correio sejam distribuídas sem que tenham sido solicitadas. O estado virou um exemplo emblemático porque os democratas viajaram para impedir que os republicanos tivessem quórum para aprovar a lei em votação final. Eles foram para Washington, junto com parlamentares estaduais de todo o país, pedir que o Congresso aprove uma lei nacional regulando o sistema eleitoral.

Em junho, republicanos no Senado Federal conseguiram barrar um projeto nesse sentido. Entre os itens propostos na legislação que foi barrada estavam a determinação de 15 dias de votação antecipada e a anulação dos rígidos requisitos de identificação do eleitor nos estados, permitindo àqueles que votaram nas eleições federais que apresentassem uma declaração juramentada em vez do documento de identificação.

Os legisladores do partido do ex-presidente Donald Trump defendem que as regras sejam endurecidas para evitar o que acusam de fraudes na eleição, ainda que as acusações não tenham se provado verdadeiras. Nesta terça, Biden reagiu contra os esforços de invalidar o pleito do ano passado, e afirmou que "nenhuma eleição passou por tanto escrutínio" quanto a vencida por ele. "Uma grande mentira é só isso: uma grande mentira".

Ele se referiu à invasão do Capitólio, sede do legislativo federal, em janeiro, por manifestantes que não aceitaram o resultado eleitoral, e afirmou que o país é o teste mais significativo da democracia desde a Guerra Civil, no século 19. "Não é uma hipérbole, desde a Guerra Civil. Confederados, naquela época, nunca tentaram invadir o Capitólio como rebeldes fizeram em 6 de janeiro. E não digo isso para alarmá-los. Digo isso porque vocês deveriam estar alarmados."

Em 6 de janeiro deste ano, cinco pessoas morreram e dezenas de agentes ficaram feridos depois de uma multidão de apoiadores de Trump entrar à força na sede do Congresso para tentar impedir a sessão que promulgaria Joe Biden como vencedor da eleição presidencial. A sessão foi paralisada, mas retomada e concluída no mesmo dia.

A invasão aconteceu poucos minutos depois de o próprio Trump, durante comício em Washington, insuflar ativistas a se dirigirem até a sede do Legislativo.

Ao recordar o evento, Biden afirmou que o mesmo pode acontecer nas eleições legislativas do ano que vem. "Vamos enfrentar outro teste em 2022: uma onda de supressão de votos sem precedentes, e uma subversão eleitoral constante. Precisamos nos preparar agora", disse. "Vamos envolver todos os nossos esforços em educar os eleitores sobre a mudança das leis, vamos registrá-los para votar e então vamos votar", disse.

Biden chegou a comparar a supressão de votos ao ataques do grupo extremista branco Ku Klux Klan nos anos 1950 e 1960 e à negativa do voto feminino ao dizer que "negar eleições livres e justas é a coisa mais não-americana que se pode pensar, mais anti-democrática, mais anti-patriótica, e, infelizmente, tem precedentes."

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