Em busca de petróleo, Biden chega à Arábia Saudita e encontra o 'pária' Bin Salman

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O presidente dos EUA, Joe Biden, chegou nesta sexta-feira à Arábia Saudita, na mais aguardada e questionada escala de seu giro pelo Oriente Médio. A viagem, a primeira como presidente à região, é considerada uma tentativa de convencer as monarquias produtoras de petróleo no Golfo Pérsico a elevarem suas ofertas, no momento em que o preço do barril está em cerca de US$ 100. Ao mesmo tempo, Biden é pressionado a levantar questões relacionadas a violações dos direitos humanos pelo governo saudita — no passado, o presidente sugeriu que a Arábia Saudita era um “Estado pária”.

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Biden pousou no aeroporto de Jedá no final da tarde, pelo horário local, em um voo marcado pelo simbolismo: ele foi o primeiro líder americano a voar diretamente de Israel, primeira escala da viagem, à Arábia Saudita. Em 2017, seu antecessor, Donald Trump, fez o oposto, saindo do país árabe em direção a Tel Aviv. Na véspera da chegada, o governo saudita anunciou a abertura de seu espaço aéreo a todas as empresas, incluindo as israelenses, no que foi visto como um ato de boa vontade de Riad.

No primeiro compromisso, foi recebido pelo príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, no palácio al-Salam, um complexo que se espalha por 60 mil m². Pouco depois da confirmação da viagem, em junho, a Casa Branca afirmou que não estava previsto um encontro entre ele e Biden — há alguns dias, Washington mudou de posição, e disse que estariam frente a frente em uma reunião de trabalho envolvendo representantes do governo saudita.

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No ano passado, Bin Salman foi apontado por um relatório da inteligência dos EUA como o responsável por autorizar a execução do jornalista saudita Jamal Khashoggi, em outubro de 2018, dentro do consulado-geral do país em Istambul. O corpo dele foi esquartejado e jamais encontrado. No primeiro contato em Jedá, os dois não apertaram as mãos, apenas bateram os punhos.

Antes do início da reunião, jornalistas que acompanham a viagem perguntaram a Bin Salman se "a Arábia Saudita ainda é uma pária", ou se ele pedirá desculpas à família de Khashoggi. Ele não respondeu, dando apenas um leve sorriso após as perguntas.

A mudança de postura em relação aos sauditas, considerados aliados históricos dos EUA no Oriente Médio, atendeu a uma necessidade urgente de Washington. A invasão russa à Ucrânia e a decisão americana de suspender as importações de petróleo da Rússia intensificou uma tendência de alta nos preços internacionais de petróleo.

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Os efeitos passaram a ser sentidos nas bombas de combustíveis dos americanos, contribuindo para a maior inflação em mais de quatro décadas no país, algo que deve impactar negativamente os democratas nas eleições de novembro, quando os republicanos podem retomar o controle das duas Casas do Congresso.

Contudo, Biden sabe que tem grandes chances de sair da Arábia Saudita de mãos abanando. Os países produtores do Golfo, com quem se encontrará no sábado, em uma reunião de cúpula, não dão sinais de que estejam dispostos a ampliar suas ofertas. Analistas também questionam se uma eventual elevação do produto no mercado terá algum efeito nos preços, ou se as nações árabes ainda têm capacidade ociosa em suas unidades de produção.

O presidente também seguirá uma agenda de segurança regional: em Jedá, buscará fortalecer uma aliança contra o Irã, acusado por Washington e seus aliados de ser o principal elemento de desestabilização no Oriente Médio. A Casa Branca busca obter consensos sobre a criação de um sistema integrado de defesa contra ataques iranianos, que poderia incluir Israel, mas não há sinais de que isso possa ser anunciado a curto prazo.

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Outro item da lista de desejos de Biden, uma aproximação mais vigorosa entre israelenses e sauditas, seguindo a mesma linha da normalização estabelecida com países como os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, liderada por Trump, também não deve ser anunciada durante a visita.

Sobre os direitos humanos, as expectativas de alguma declaração do tipo são poucas. Ainda em Israel, Biden disse que “nunca esteve calado sobre discutir os direitos humanos”, e reiterou que sua posição sobre a morte de Jamal Khashoggi “era muito clara”, sem revelar se iria levantar o tema em seus encontros com os dirigentes sauditas.

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Segundo Biden, as razões para a visita eram “muito mais amplas”, e seriam uma forma de corrigir o que considerou ser “um erro”, se referindo à decisão dos EUA de deixar o Oriente Médio em segundo plano na sua diplomacia, dando mais ênfase à China.

— Podemos continuar a liderar a região e não criar um vácuo, um vácuo que é preenchido por China e Rússia contra os interesses de Israel, dos EUA e de outros países — declarou Biden, em Israel.

Em junho, o ministro da Energia saudita, Abdulaziz bin Salman, declarou que as relações entre Arábia Saudita e Rússia estavam "mais quentes do que o tempo em Riad, após uma reunião com o vice-premier russo, Alexander Novak, em uma aparição surpresa durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo. Na quarta-feira, o secretário de Imprensa do Kremlin, Dmitry Peskov, disse esperar que os americanos não usem a viagem de Biden para criar um clima hostil em relação a Moscou.

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