Biden culpa Trump e suas 'redes de mentiras' em discurso de 1 ano do ataque ao Capitólio

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    Joe Biden
    Presidente dos Estados Unidos
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    Donald Trump
    Empresário e político norte-americano, 45º presidente dos Estados Unidos
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 17.06.2014 - O presidente dos EUA, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 17.06.2014 - O presidente dos EUA, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente dos EUA, Joe Biden, fez ataques ao antecessor, Donald Trump, em um discurso nesta quinta (6) para marcar um ano da invasão do Congresso por apoiadores do republicano. Na fala, o democrata disse que os americanos precisam fortalecer sua democracia e decidir que tipo de país quer ser.

"Pela primeira vez na nossa história, um presidente tentou impedir a transição pacífica de poder com uma multidão violenta que atacou o Congresso", disse Biden, na sala de estátuas do Capitólio. "Mas falharam. E nesse dia de memória, temos de garantir que um ataque como esse nunca mais aconteça de novo."

Este foi o discurso mais duro de Biden sobre Trump desde que o democrata tomou posse. "O ex-presidente criou e espalhou uma rede de mentiras sobre a eleição de 2020. E fez isso porque vê seus interesses como mais importantes do que os interesses da América. Seu ego ferido importa mais para ele do que nossa democracia e nossa Constituição. Ele não consegue aceitar que perdeu", prosseguiu.

Biden também acusou o republicano de negligência. "O ex-presidente ficou sentado em uma sala de jantar, perto do Salão Oval, vendo o que acontecia pela TV, e não fez nada por horas. Havia vidas em risco. Aquilo não era um grupo de turistas. Era uma insurreição armada", disse.

O presidente também fez ataques ao Partido Republicano: disse que muitos de seus membros estão "transformando o partido em alguma outra coisa". E questionou o argumento dos invasores que dizem ter agido por patriotismo. "Você não pode amar seu país só quando você ganha. Não pode obedecer a lei só quando é conveniente. Não pode ser patriota quando abraça mentiras".

"Vamos ser uma nação que permite a funcionários eleitorais ligados a partidos reverter a vontade expressa das pessoas? Vamos ser uma nação que vive não pela luz da verdade mas pela sombra das mentiras? Não podemos nos permitir ser esse tipo de nação", disse Biden.

Antes do presidente, a vice-presidente Kamala Harris também se pronunciou. Ela comparou o ataque de 6 de janeiro a grandes momentos da história do país, como o bombardeio a Pearl Harbor, que levou os EUA a entrar na Segunda Guerra, em 1941, e os atentados de 11 de setembro de 2001.

"O 6 de Janeiro reflete a natureza dual da democracia, sua fragilidade e sua força. A força da democracia é o princípio de que todos devem ser tratados de forma igual. E a fragilidade é que, se nós não formos vigilantes e não a defendermos, a democracia simplesmente não para em pé. Ela vai esmorecer e cair", disse a vice.

"Como o 6 de Janeiro será lembrado nos anos à frente? Como um momento que acelerou a derrocada da democracia mais antiga do mundo? Ou quando decidimos fortalecer nossa democracia para as gerações seguintes?", questionou Kamala.

Após a fala de Biden, Trump divulgou um comunicado com críticas ao presidente. "Esse teatro político é apenas uma distração para o fato de que Biden falhou totalmente. Os democratas querem dominar o dia de 6 de Janeiro para que possam atiçar medos e dividir a América".

Durante o dia, outros eventos serão realizados em Washington para marcar um ano da invasão. Ao meio dia haverá uma cerimônia na Câmara, com um minuto de silêncio em respeito às vítimas. Durante a tarde, haverá discursos e debates, além de uma vigília do lado de fora do Capitólio. A invasão terminou com cinco mortes e cerca de 140 agentes de segurança feridos.

A agressão à democracia de um ano atrás foi uma tentativa de Trump e apoiadores de mudar à força o resultado da eleição. O republicano havia perdido a reeleição para Biden, em novembro de 2020, mas se recusou a assumir a derrota, alegando uma suposta fraude, nunca comprovada.

Em 6 de janeiro de 2021, o Congresso faria a certificação dos votos enviados pelos estados. A estratégia de Trump era tentar convencer parlamentares a invalidar parte dos resultados. O então presidente considerou que poderia reverter a derrota caso conseguisse que congressistas mudassem os números de alguns locais —manobra inviável na Câmara— e pressionou seu vice, Mike Pence, que comandaria a sessão, a recusar dados enviados pelos estados (o que ele se negou a fazer).

Naquele dia, Trump fez um comício para questionar o resultado do voto popular e exortou seus apoiadores a lutar, sem pedir explicitamente que invadissem o Congresso. Em seguida, recolheu-se e permaneceu quieto durante a invasão, por mais de duas horas, apesar de apelos para que fizesse algo.

Várias instâncias do governo americano trabalham para investigar e punir os envolvidos na invasão. O FBI prendeu e processou mais de 725 pessoas. No Congresso, uma comissão bipartidária investiga as autoridades envolvidas no planejamento da ação, e busca também apurar responsabilidades por negligência. Trump, por exemplo, levou mais de duas horas para vir a público pedir que os invasores fossem embora.

Se ficar provado que ele e outras autoridades tiveram papel ativo em planejar a invasão ou foram negligentes, poderão ser processados na esfera criminal por tentar impedir ou corromper um procedimento oficial do Congresso —a certificação dos votos—, crime previsto no código de leis federais com pena que pode chegar a 20 anos de prisão.

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