Biden diz que ainda vai decidir se disputará a reeleição

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez alertas no domingo à China e Rússia e expressou otimismo sobre a recuperação econômica do país, mas surpreendeu ao ser evasivo sobre a possibilidade de disputar a reeleição.

Em uma rara e longa entrevista ao programa "60 Minutes", da CBS, Biden não confirmou as repetidas afirmações da Casa Branca de que certamente vai disputar as eleições de 2024.

Biden, que fará 80 anos em novembro, disse ao entrevistador Scott Pelley que a reeleição é sua "intenção".

"Mas é só uma intenção. Mas é uma decisão firme que eu me candidate de novo? Isso está por ser visto", disse.

Quando apontado que já era uma pessoa de mais idade no cargo, Biden reagiu: "Muito boa forma, não?".

Perguntado se está qualificado, Biden limitou-se a dizer, "me observe", e argumentou que deve ser julgado por seus atos.

O presidente americano admitiu que seus baixos índices de aprovação refletem que o país está em "um momento realmente difícil".

Ao analisar a situação da maior economia do mundo, Biden se mostrou otimista.

Ele também afirmou que a pandemia de covid-19 terminou nos Estados Unidos.

"Ainda temos um problema com a covid. Ainda estamos trabalhando muito nisso... Mas a pandemia acabou. Se prestarem atenção, ninguém usa máscaras. Todo mundo parece estar em boa forma. E por isso, acredito que está mudando", afirmou.

No entanto, o presidente deu estas declarações apenas algumas semanas depois de sua administração ter pedido ao Congresso bilhões de dólares em financiamento para manter seus programas de testagem e vacinação com vistas a uma possível nova onda no outono.

O democrata também disse que governo controlará a inflação, a principal razão para seus baixos índices de aprovação e a razão pela qual os republicanos acreditam que podem assumir o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato em novembro.

- Defesa de Taiwan -

Perguntado em outro momento se as tropas americanas defenderiam Taiwan em caso de uma invasão da China, Biden disse, "sim", em caso de "um ataque sem precedentes", enquanto a Casa Branca afirmou que a política de Washington não tinha mudado.

A China criticou a afirmação do presidente americano sobre Taiwan.

"É uma violação grave do importante compromisso dos Estados Unidos a não apoiar a independência de Taiwan. Isto envia um sinal ruim, grave (de apoio) às forças separatistas de Taiwan", declarou Mao Ning, porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores.

Washington cortou as relações diplomáticas formais com Taiwan em 1979, passando a reconhecer Pequim como o único representante da China, que depois se tornou um importante parceiro comercial.

Mas ao mesmo tempo, os Estados Unidos mantiveram um papel decisivo, embora às vezes delicado, em apoio a Taiwan.

Segundo uma lei aprovada pelo Congresso, os Estados Unidos são obrigados a vender a Taiwan equipamentos militares para garantir sua autodefesa frente às forças armadas de Pequim, que são muito mais poderosas.

No entanto, Washington mantém o que se chama oficialmente de  "ambiguidade estratégica" sobre se interviria militarmente.

Essa política é concebida tanto para evitar uma invasão chinesa quanto para dissuadir Taiwan de provocar Pequim, declarando-se independente.

Quando perguntado se a última declaração de Biden significava uma mudança sobre esta ambiguidade estratégica, um porta-voz da Casa Branca declarou: "o presidente disse isso antes, inclusive em Tóquio no começo do ano. Também deixou claro na ocasião que nossa política sobre Taiwan não mudou. Isso continua sendo o correto".

- Ucrânia -

Na entrevista, Biden também disse que se o presidente russo, Vladimir Putin, utilizar armas nucleares ou outras não convencionais contra a Ucrânia a resposta dos Estados Unidos será "relevante".

"Não faça. Não. Não", disse a Putin.

Biden elogiou os ucranianos por sua luta contra a invasão. "Estão derrotando a Rússia", afirmou.

Ao ser questionado sobre como definir a vitória de Kiev, ele respondeu que "vencer a guerra na Ucrânia é tirar a Rússia da Ucrânia por completo".

Mas com a magnitude do sofrimento humano e a destruição infligida ao resistir ao ataque russo, "é muito difícil considerar isto como uma vitória", afirmou.

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