Biden diz que ameaça nuclear de Putin traz risco de "Armagedom"

Biden e Putin durante encontro em Genebra

Por Nandita Bose e Pavel Polityuk

NOVA YORK/KIEV (Reuters) - A ameaça do presidente russo, Vladimir Putin, de usar armas nucleares na Ucrânia aproximou o mundo do "Armagedom" do que em qualquer outro momento desde a crise dos mísseis cubanos na Guerra Fria, disse o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

Putin comemorou seu 70º aniversário com um coro de elogios de autoridades. Mas com sua invasão de sete meses se desenrolando com revés no campo de batalha, os eventos públicos pareciam mais silenciosos do que apenas uma semana atrás, quando ele organizou um grande show na Praça Vermelha para proclamar a anexação de quase um quinto das terras ucranianas.

Em um claro repúdio ao histórico de Putin, o Prêmio Nobel da Paz foi concedido ao grupo de direitos humanos mais proeminente da Rússia, o Memorial, que Moscou fechou no ano passado. Um grupo ucraniano de direitos humanos e um ativista contra os abusos do governo pró-Rússia em Belarus também foram premiados.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse que as forças de Kiev estão recapturando rapidamente mais território, incluindo mais de 500 quilômetros quadrados no sul, onde romperam uma segunda grande frente nesta semana.

Os fracassos russos no campo de batalha trouxeram recriminações públicas incomuns dos aliados do Kremlin, com um líder instalado pela Rússia em território ucraniano ocupado chegando ao ponto de sugerir que o ministro da Defesa de Putin deveria ter se suicidado.

Biden disse que a perspectiva de derrota pode deixar Putin desesperado o suficiente para usar armas nucleares, o maior risco desde que o presidente dos EUA John Kennedy e o líder soviético Nikita Khrushchev se enfrentaram por causa de mísseis em Cuba em 1962.

"Não enfrentamos a perspectiva do Armageddon desde Kennedy e a crise dos mísseis cubanos", disse Biden em Nova York. "Pela primeira vez desde a crise dos mísseis cubanos, temos uma ameaça direta ao uso de armas nucleares, se de fato as coisas continuarem no caminho que estão indo."

Putin "não estava brincando quando fala sobre o uso potencial de armas nucleares táticas ou armas biológicas ou químicas, porque suas Forças Armadas estão, pode-se dizer, com desempenho significativamente abaixo do esperado", afirmou Biden.

A preocupação até agora tem sido com a perspectiva de a Rússia implantar uma chamada arma nuclear "tática" - um dispositivo de curto alcance para uso no campo de batalha - em vez das armas "estratégicas" em mísseis de longo alcance que Washington e Moscou armazenam desde a Guerra Fria.