Biden diz que invasão ao Congresso foi 'um dos dias mais sombrios da história dos EUA'

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Joe Biden
Presidente eleito fez pronunciamento nesta quinta em Delaware

O presidente eleito do Estados Unidos, Joe Biden, lamentou o "caos" que se instaurou ontem na capital do país, Washington D.C.

Na tentativa de impedir a ratificação da vitória do democrata pelo Congresso, uma multidão de apoiadores do presidente Donald Trump invadiu o Capitólio e protagonizou cenas de confusão e violência que levaram à morte de quatro pessoas.

Em um pronunciamento na tarde desta quinta-feira (07/01) na cidade Delaware, ele afirmou que aquele foi "um dos dias mais sombrios da história dos EUA", "um ataque, literalmente, à cidadela da liberdade".

"Não foi divergência, não foi desordem", afirmou. "Foi caos."

Os americanos que invadiram o Capitólio, para Biden, não estavam lá para protestar — eram, como ele definiu, uma "multidão de arruaceiros" e "terroristas domésticos".

"Gostaria de dizer que não imaginávamos que isso pudesse acontecer. Mas não é verdade. Sabíamos que poderia", declarou.

"Nos quatro últimos anos tivemos um presidente que deixou claro seu desprezo por nossa democracia, nossa Constituição, nosso Estado de direito."

"Ele lançou um amplo ataque às instituições da nossa democracia desde o início", acrescentou.

Depois de sentar na mesa da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, um manifestante deixou uma mensagem dizendo "não vamos recuar"
Depois de sentar na mesa da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, um manifestante deixou uma mensagem dizendo 'não vamos recuar'

O presidente eleito, que assume a Casa Branca no próximo dia 20 de janeiro, disse ainda acreditar que os manifestantes não foram tratados de maneira agressiva pela polícia em parte por serem brancos.

"Se fosse um grupo [do movimento antirracista] Black Lives Matter, eles teriam sido tratados de maneira bem diferente dos que tomaram o Capitólio ontem."

Opositores de Trump nas duas casas do Congresso pediram que ele fosse destituído do cargo após a violenta dessa quarta-feira.

O senador democrata Chuck Schumer disse que Trump deveria ser removido do cargo imediatamente, antes mesmo do final de seu mandato, no dia 20 de janeiro. No entanto, a remoção precisaria do apoio dos republicanos.

Já a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, também defendeu a destituição de Trump da cadeira de presidente.

"O Congresso deve se preparar para seguir adiante com um impeachment, que representa o sentimento esmagador do meu partido e do povo americano. Embora faltem apenas 13 dias [para Trump deixar o cargo], qualquer dia pode ser um show de terror", afirmou, em pronunciamento nesta quinta.

Trump banido do Facebook

Os apoiadores de Trump que protagonizaram as cenas de violência na capital ontem foram inflamados pelo republicano, que fez alegações infundadas de fraude nas eleições de novembro.

Após a confusão, as contas de Trump no Facebook e no Instagram foram temporariamente suspensas.

Nesta quinta, o Facebook anunciou que o bloqueio prosseguirá por tempo indeterminado. "Os riscos de permitir que o presidente use a plataforma neste momento são simplesmente grandes demais", declarou a empresa.

O período de suspensão será de "no mínimo" duas semanas, até que a transição de poder seja completada.

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