Biden e Obama fazem comícios em estados decisivos na véspera da eleição

RAFAEL BALAGO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No último dia antes da eleição, o candidato democrata Joe Biden se concentrou em dois estados-chave para a vitória: Pensilvânia e Ohio. E o rival Donald Trump seguiu com agenda cheia, com cinco comícios marcados em um dia, em quatro estados diferentes. Em Cleveland, Ohio, Biden chamou Trump de "fraco" e de "desgraça". Voltou a acusar o presidente de gerir mal a crise da pandemia e prometeu unir o país. "Amanhã temos a oportunidade colocar fim a uma Presidência que dividiu a nação", afirmou. Biden acusa Trump de ter subestimado a Covid-19 e o culpa pelas mais de 230 mil mortes ocorridas no país por conta da doença. "Me elejam, e eu vou contratar Dr. Fauci, e nós vamos demitir Donald Trump", disse. Na noite de domingo, Trump sugeriu em um comício que poderá demitir Anthony Fauci, considerado o principal infectologista dos EUA e diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas, após ele reafirmar que a situação da pandemia segue preocupante no país, ao contrário do que defende o presidente. Durante um evento nos arredores de Miami, apoiadores de Trump começaram um coro de "demita Fauci". Em seguida, o presidente respondeu: "Não conte a ninguém, mas me deixe esperar até um pouco depois da eleição". Nestas horas finais de campanha, Barack Obama foi a campo ajudar Biden. O ex-presidente esteve em Atlanta, Geórgia, para um discurso de tarde, e seguiria depois para Miami, Florida. Em Atlanta, Obama atacou os senadores republicanos David Perdue e Raphael Warnock, por terem agido mal durante a pandemia. "Eles são como Batman e Robin maus. São a dupla dinâmica de fazer coisas erradas. Eu não sei o que eles pensam, mas a Geórgia não está nas suas mentes", disse o ex-presidente, em um esforço para ajudar os democratas a conquistar mais cadeiras no Senado. Biden também obteve apoio de ícones da música pop, como Lady Gaga, que se apresentará em um comício dele na noite de segunda (2), em Pittsburgh, e de Beyoncé, que postou um vídeo no Instagram com uma máscara de apoio à chapa democrata. A mensagem de Beyoncé foi compartilhada por cantoras como Ariana Grande e Demi Lovato. Somadas, as três possuem mais de 450 milhões de seguidores no Instagram. Trump associa Biden a 'globalistas e comunistas' Nesta segunda (2), Trump programou mais cinco comícios, na Carolina do Norte, Pensilvânia, Wisconsin, e Michigan, sendo dois neste último. Em Fayetteville, Carolina do Norte, no primeiro evento do dia, Trump disse que um governo de Biden seria apocaliptico. "Um voto para Biden é um voto para dar o controle do governo aos globalistas, comunistas, socialistas, os ricos liberais hipócritas que querem silenciar, censurar, cancelar e punir você", disse. Trump teve uma agenda frenética nos últimos dias. Foram quatro comícios no sábado e cinco no domingo, em vários estados diferentes. Para ganhar tempo, ele tem feito eventos nos arredores de aeroportos. O presidente tem falado para multidões aglomeradas, nas quais há pessoas sem máscaras, o que aumenta o risco de contágio pela Covid-19. Já Biden optou por menos estados e ficou concentrado em Michigan, Pensilvânia e Ohio. E fez eventos no sistema drive-in, para que os espectadores o ouvissem de dentro de seus carros. Os dois candidatos dão tanta atenção a alguns estados porque os resultados neles são considerados indefinidos e, portanto, podem ser modificados na reta final. Trump venceu na Pensilvânia em 2016, por apenas 44 mil votos, ou 1% do total. A média das pesquisas atuais apontam Biden 4,8 pontos percentuais à frente naquele estado. Em Michigan, a vantagem democrata é de 8 pontos. Os dados são do site FiveThirtyEight, que agrega várias pesquisas. Embora as pesquisas nacionais mostrem Biden com vantagem de cerca de oito pontos percentuais no voto popular, o sistema de colégio eleitoral pode dar a vitória a Trump, caso ele consiga vencer em determinado número de estados, mesmo que por margem apertada. Na maioria dos casos, o vencedor de um estado leva todos os votos dali no colégio eleitoral, mesmo que vença por vantagem mínima.