Biden e Putin, das ameaças ao diálogo

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Combinação de fotos do presidentes de EUA, Joe Biden (esq.), e Rússia, Vladimir Putin (dir.) (AFP/JIM WATSON, Alexander NEMENOV)
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Os presidentes de Estados Unidos e Rússia, Joe Biden e Vladimir Putin, conversarão nesta quinta-feira (30), pela segunda vez, para abordar a crise na Ucrânia, ilustrando sua vontade de dialogar após meses de retórica agressiva e ameaças.

- 'Retórica muito agressiva' -

"Eu disse claramente ao presidente Putin que, ao contrário do que fazia meu antecessor [Donald Trump], o tempo em que os Estados Unidos se submetiam às agressões da Rússia [...] terminou", disse Joe Biden em 4 de fevereiro, duas semanas depois de sua posse.

Biden citou a interferência russa nas eleições americanas, os ciberataques e "o envenenamento de cidadãos", em referência ao opositor Alexei Navalny. No dia seguinte, o Kremlin lamentou "a retórica muito agressiva e pouco construtiva" do novo presidente americano.

- Putin 'assassino' -

Em uma entrevista televisionada em 17 de março, Biden causou a primeira crise diplomática de seu mandato.

"Você acredita que [Vladimir Putin] é um assassino?", perguntou o jornalista. "Sim, acredito nisso", respondeu o presidente americano, sem detalhar se estava se referindo ao ocorrido com Navalny. "Logo verão que ele pagará caro", acrescentou.

Questionado sobre a interferência eleitoral russa em 2016 e 2020, Biden repetiu que Putin "enfrentaria as consequências". A Rússia chamou seu embaixador nos EUA para consultas e, um mês depois, o embaixador americano em Moscou retornou a Washington.

- 'Muito mais é quem me diz' -

Em referência às declarações de Biden, Putin respondeu: "Muito mais é quem me diz! Não é apenas uma expressão infantil, uma brincadeira [...], sempre vemos no outro nossas próprias características", afirmou O líder russo.

Na época, Putin propôs a realização de um "debate" transmitido ao vivo entre ele e Biden: "Seria de interesse para o povo russo, o povo americano e para muitos outros países", disse.

A resposta de Washington foi o silêncio.

- 'Chegou o momento da desescalada' -

Em 15 de abril, Joe Biden aprovou uma série de sanções econômicas e diplomáticas severas contra a Rússia, além das medidas tomadas em março pelo caso Navalny.

Porém, pouco depois decidiu que havia chegado "o momento da desescalada", e propôs uma cúpula bilateral no meio do ano "na Europa".

- Três horas e meia com Putin -

Em 16 de junho, depois de uma reunião de três horas e meia em Genebra (Suíça), os dois presidentes avaliaram bem as conversas, com Biden destacando o tom "positivo", enquanto Putin as considerou "construtivas" e sem "nenhuma animosidade".

"Era importante que nos conhecêssemos pessoalmente", disse o líder americano. Putin, por sua vez, anunciou o retorno dos embaixadores a seus respectivos postos.

- Ciberataques russos -

Em 9 de julho, Biden conversou por telefone com o presidente russo para lhe pedir que tomasse medidas contra uma onda de ataques de "ransomware" contra empresas americanas, atribuídos a hackers russos.

A discussão "foi boa, estou otimista", afirmou o presidente americano.

Pouco depois, contudo, Putin assinalou que, apesar da vontade russa de ajudar na luta contra os cibercriminosos, não tinha recebido nenhuma solicitação, nos últimos meses, "de ajuda mútua por parte dos americanos".

- 'Sua tundra está queimando, mas ele está em silêncio' -

Em 31 de outubro, em plena reunião do G20, Joe Biden criticou a ausência de Vladimir Putin. "Nada pode substituir as negociações face a face para a cooperação global".

A acusação foi repetida depois, na COP 26 em Glasgow: "Sua tundra está queimando. Ele enfrenta problemas climáticos muito graves, mas está em silêncio".

"A tundra está realmente queimando. Mas não nos esqueçamos que as florestas também estão queimando em Califórnia, Turquia e outras partes do mundo", respondeu o Kremlin.

- O nó ucraniano -

"Preocupado" com a mobilização de 100.000 soldados russos na fronteira com a Ucrânia, Biden anunciou no fim de novembro um novo encontro com o presidente Putin.

Negando qualquer plano de invasão, a Rússia garante que sua intenção é fortalecer a posição das Forças Armadas em resposta à "crescente atividade" da Otan nas fronteiras.

Em conversa telefônica no dia 7 de dezembro, Biden ameaçou impor "fortes sanções econômicas" se Putin invadisse a Ucrânia.

O presidente russo, por sua vez, exigiu - mas sem sucesso - garantias sobre o congelamento da expansão da Otan.

Em 17 de dezembro, Moscou apresentou propostas de tratados para limitar drasticamente a influência americana e da Otan no entorno de suas fronteiras, textos que Washington disse que estava pronto para discutir, em consulta com os europeus.

Já no dia 21, Putin aumentou o tom e prometeu uma retaliação "militar e técnica" em caso de ameaças ocidentais, enquanto na última terça (28), Washington condenou a dissolução da ONG Memorial na Rússia, um dos pilares da defesa dos direitos humanos no país.

Hoje, os dois líderes devem falar novamente por telefone sobre a Ucrânia, um prelúdio das conversas sobre segurança na Europa em 10 de janeiro.

Apesar da tensão atual, Biden proporá uma "via diplomática" para sair da crise, segundo a Casa Branca.

Putin, por sua parte, diz estar "convencido" de que um diálogo "efetivo" é possível com seu homólogo americano.

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