Biden e Trump atacam um ao outro em comícios finais nos estados que podem decidir eleição

RAFAEL BALAGO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No último sábado antes da eleição, os candidatos Donald Trump e Joe Biden seguiram trocando ataques em comícios de campanha, feitos em estados que podem definir o resultado final. A eleição nos Estados Unidos ocorre na próxima terça-feira, 3 de novembro. Biden foi a Michigan. No começo da tarde deste dia 31, fez um discurso em Flint, em um evento que também teve o ex-presidente Barack Obama. "Na terça, vocês podem escolher a mudança, e tudo está em jogo. Nossos empregos, nosso plano de saúde e o combate e a pandemia estão em jogo", disse Obama. Obama também atacou os números da pandemia e comparou o desempenho dos EUA com o do Canadá, que teve bem menos mortes, mesmo na comparação proporcional. "Tuitar não resolve as coisas. É preciso de um plano. (...) Joe não vai chamar os cientistas de idiotas", afirmou, à uma plateia que assistia o discurso de dentro de carros. O ex-presidente disse que Biden levará mais empregos ao estado, ao estimular a produção de veículos elétricos. Sede de grandes montadoras de automóveis, Michigan sofre há anos com a perda de empregos por conta da desindustrialização. Biden também atacou a atuação de Trump na pandemia. "Esse presidente sabia em janeiro que o vírus era mortal, como essa pandemia era perigosa. E mentiu para o povo americano", disse. "O primeiro passo para vencer o vírus é derrotar Donald Trump". As pesquisas mostram Biden à frente em Michigan, com 51,4% de preferência, contra 42,7% de Trump, segundo o site FiveThirtyEight, que agrega várias pesquisas. Na Pensilvânia, Trump também fez muitos ataques ao rival. "O plano de Biden para abolir a energia americana é uma sentença de morte para a Pensilvânia. Um voto para Biden é um voto para banir o fracking [extração por fraturamento hidráulico] e mandar a Pensilvânia para um pesadelo de pobreza e depressão. O preço do gás vai explodir e a renda das famílias vai desabar. Eu sempre vou defender a energia da Pensilvânia", disse o republicano. "Este será o estado que vai salvar o sonho americano." A Pensilvânia é um dos estados onde é feita a extração de petróleo e gás do solo usando fraturamento hidráulico. A técnica ajudou os EUA a ampliarem a sua produção de combustíveis, mas é questionada por ser poluente e danificar o ambiente. "Nossa economia está se recuperando mais rápido, maior e mais forte do que qualquer nação no planeta. Tivemos o melhor trimestre de crescimento da economia já registrado, de 33,1%, e o próximo ano será o maior ano na economia da história do nosso país", prometeu Trump. Apesar da grande alta, os EUA ainda não recuperaram os níveis de atividade econômica de antes da pandemia. Trump acusou a imprensa e as grandes empresas de tecnologia de esconderem informações prejudiciais a Biden. Disse que o rival enriqueceu às custas da pobreza americana, ao ganhar dinheiro com a saída de fábricas dos EUA rumo a outros países, sem apresentar provas. O republicano fez seus discursos para plateias aglomeradas. No domingo (1º), Trump deve visitar cinco estados no mesmo dia: Michigan, Iowa, Carolina do Norte, Geórgia e Flórida. E Biden irá a Filadélfia, na Pensilvânia. Michigan e Pensilvânia são estados-pêndulo, onde o partido vencedor costuma mudar a cada eleição. Por isso, são considerados decisivos: ganhar em cada um deles aumenta muito as chances de vitória nacional.