Biden e Trump viajam para Geórgia na véspera de eleições decisivas

Elodie CUZIN
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Donald Trump e Joe Biden viajam para a Geórgia nesta segunda-feira (4) para apoiarem seus candidatos em uma eleição decisiva para o controle do Senado, um dia depois de uma gravação do ainda presidente ter caído como uma bomba em Washington.

Seu impacto na votação é, porém, incerto.

Passados dois meses da eleição presidencial, Trump continua sem reconhecer sua derrota para o democrata Biden, apesar de auditorias, recontagens e várias decisões judiciais apontarem o contrário.

Em uma ligação surpreendente, o presidente republicano pediu, no sábado (2), ao encarregado das eleições na Geórgia que "encontrasse" as cédulas necessárias para anular sua derrota neste Estado-chave.

Há 20 anos, a Geórgia não elege um democrata para o Senado, mas, se conseguirem a façanha, os democratas Raphael Warnock e Jon Ossoff inclinarão a Casa na direção de seu partido, entregando todas as rédeas do poder a Biden.

Se isso acontecer, o Senado ficaria com 50 cadeiras para cada força, motivo pelo qual a futura vice-presidente, Kamala Harris, teria o voto decisivo, fazendo com que a balança pendesse para o seu lado nesta câmara de maioria republicana.

Faixas eleitorais, ônibus de candidatos, persuasão de porta em porta e comícios: dois meses após a eleição presidencial, a Geórgia recupera seu clima de campanha nacional antes da disputa de duas cadeiras no Senado na terça-feira.

Joe Biden fará um pronunciamento em Atlanta, capital da Geórgia, no meio da tarde.

Donald Trump fará, no início da noite, o que deve ser seu último grande comício antes de deixar a Casa Branca em 20 de janeiro.

A expectativa é que o republicano seja recebido como um herói em Dalton, uma circunscrição rural e conservadora no noroeste da Geórgia.

Nos eventos, os cartazes "Trump 2020" continuam sendo numerosos. Estão mais presentes do que os dos senadores que o presidente vai apoiar: os ex-empresários Kelly Loeffler, 50, e David Perdue, 71.

Randy Stelly, 68 anos, diz que viajou do Texas para Dalton para mostrar que a luta em favor de Trump "não para" e que deve "nunca, nunca admitir a derrota".

“Se você não acredita que essas eleições foram marcadas por uma fraude, você não é honesto”, disse.

- Muito apertado -

"Tudo está em jogo" na eleição de terça-feira, "o futuro do nosso país", disse Kamala Harris durante um comício em Savannah, uma grande cidade colonial onde fez campanha ao lado dos dois candidatos democratas.

Para os republicanos, também é o futuro do país que está em jogo."Somos a barreira para evitar que o socialismo chegue à América", disse Kelly Loeffler a seus seguidores reunidos em Cartersville, uma pequena cidade na Geórgia.

As pesquisas mostram que os candidatos estão bem próximos: Jon Ossoff enfrentará David Perdue, enquanto Raphael Warnock disputa a vaga com Kelly Loeffler.

No papel, os republicanos partem como favoritos neste estado conservador. Os democratas contam, porém, com a vitória de Biden em 3 de novembro, a primeira de um democrata na Geórgia desde 1992.

Todos esses elementos contribuem para uma situação "realmente muito apertada para fazer uma previsão", comentou Trey Hood, professor da Universidade da Geórgia.

Especialmente porque o impacto de Donald Trump e das últimas revelações sobre sua conversa com uma autoridade é muito difícil de medir.

Se sua base eleitoral permanecer fiel a ele, sua cruzada contra eleições supostamente irregulares pode desmobilizar os eleitores.

Repetindo suas acusações de fraude, sem provas, Trump disse a Brad Raffensperger que a eleição havia-lhe sido roubada. Apesar das ameaças veladas, o responsável, um republicano, não cedeu.

"Achamos que nossos números são bons", respondeu Raffensperger ao presidente em final de mandato.

"Ele foi quem falou quase o tempo todo", explicou depois na ABC. "Nós escutamos, mas eu queria indicar claramente que seus dados eram simplesmente falsos".

Kamala Harris, que fazia campanha na Geórgia, classificou o episódio no domingo como um "flagrante abuso de poder".

No campo republicano, porém, a maioria das vozes preferiu não comentar o fato a poucas horas de uma importante votação.

Questionada em um comício de campanha, a candidata a senadora Kelly Loeffler evitou responder a uma pergunta sobre o escândalo.

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