Biden e Xi planejam cúpula presencial, apesar de tensões sobre Taiwan

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Joe Biden e Xi Jinping concordaram, nesta quinta-feira (28), em organizar um encontro presencial entre os líderes das duas maiores potências mundiais, durante uma conversa telefônica de mais de duas horas, apesar das tensões sobre Taiwan que levaram o presidente chinês a alertar seu colega americano a não "brincar com fogo".

De acordo com uma funcionária americana que pediu anonimato, os dois líderes, que ainda não se encontraram pessoalmente desde que Biden foi eleito presidente, concordaram que suas equipes encontrem o momento adequado para fazê-lo. Uma data não foi anunciada.

Os dois lados classificaram o telefonema - o quinto encontro virtual entre os dois - como "franco", um termo diplomático que significa que muitos desentendimentos permanecem.

A agência de notícias estatal Xinhua informou que o presidente chinês alertou Biden sobre Taiwan, que Pequim considera como parte de seu território e que quer recuperar, se necessário à força.

"Aqueles que brincam com fogo vão acabar se queimando", disse Xi a Biden, usando a mesma expressão que usou em uma conversa entre os dois em novembro.

"Espero que a parte americana entenda isso perfeitamente", completou Xi, cujo país ameaça há dias com "consequências" caso a chefe da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, seguir adiante com os planos de viajar a Taiwan em visita oficial.

Segundo a Casa Branca, Biden disse a Xi que os Estados Unidos "não mudaram" sua posição sobre Taiwan e "se opõem fortemente aos esforços unilaterais para mudar o status da ilha e minar a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan".

Os Estados Unidos reconhecem o regime chinês desde 1979, de acordo com o princípio de "uma só China", cuja capital é Pequim. Washington não reconhece oficialmente Taiwan como Estado, mas apoia a ilha militarmente.

A China considera a ilha como uma de suas províncias históricas e reivindica sua soberania. Opõe-se, portanto, a qualquer iniciativa que dê legitimidade internacional às autoridades taiwanesas e a qualquer contato oficial entre Taiwan e outros países.

Embora autoridades americanas de alto escalão visitem frequentemente Taiwan, a China considera a viagem de Pelosi, uma das principais personalidades do Estado, uma grande provocação.

O chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos, general Mark Milley, disse à imprensa que, se Pelosi pedir "apoio militar", ele "fará o que for necessário" para garantir que transcorra com segurança.

- Sem mudanças nas tarifas -

As tensões em torno desta viagem são apenas parte do problema. Os Estados Unidos temem que o presidente Xi esteja considerando o uso da força para impor o controle sobre Taiwan.

Até pouco tempo atrás, uma invasão era considerada improvável, mas os observadores estão mudando de ideia e não descartam mais essa hipótese.

As declarações contraditórias de Joe Biden sobre Taiwan (em maio disse que os Estados Unidos defenderiam a ilha e, mais tarde, a Casa Branca insistiu em que estava mantendo a chamada política de "ambiguidade estratégica") não ajudaram.

Segundo a Casa Branca, o principal objetivo de Biden é estabelecer "salvaguardas" para as duas superpotências para evitar um conflito aberto.

Nenhuma decisão foi tomada na conversa desta quinta-feira sobre a questão das tarifas de 25% impostas pelo ex-presidente americano, Donald Trump, sobre bilhões de dólares em produtos chineses.

Sobre o tema, Biden levantou preocupações com Xi "sobre as práticas injustas da China que prejudicam trabalhadores e famílias americanas, mas não discutiu possíveis medidas que poderia tomar", declarou a funcionária americana aos jornalistas.

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