Biden encerra apoio dos EUA à guerra do Iêmen e congela retirada de tropas da Alemanha

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O presidente dos EUA, Joe Biden, fala sobre política externa no Departamento de Estado em Washington, DC, em 4 de fevereiro de 2021

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anuncia nesta quinta-feira (4) o fim do apoio dos Estados Unidos à guerra no Iêmen e o congelamento da retirada das tropas americanas na Alemanha, marcando assim um duplo ponto de inflexão em relação ao governo de Donald Trump.

A informação foi antecipada pelo conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan, horas antes do primeiro discurso sobre política externa de Biden desde que chegou à Casa Branca, esta tarde, no Departamento de Estado.

No discurso, Biden disse que a guerra no Iêmen "deve acabar", prometendo abandonar o apoio de Washington à ofensiva da Arábia Saudita contra os rebeldes huthis e suspender a venda de armas.

"Esta guerra deve acabar", disse Biden. "Para ressaltar nosso compromisso, estamos terminando com todo apoio americano às operações ofensivas na guerra no Iêmen, incluindo a venda de armas".

O fim do apoio americano à coalizão militar liderada pelos sauditas que lutam contra os rebeldes huthis no Iêmen reverte a política de Trump de fornecer assistência logística e vender grandes quantidades de armamento sofisticado.

Esta promessa de campanha de Biden é parte de uma revisão mais ampla da política americana no Oriente Médio.

O plano também analisará a inclusão dos huthis na lista de "organizações terroristas" nos Estados Unidos, outra medida tomada no apagar das luzes do governo Trump, mas criticada por ameaçar a entrega de ajuda ao Iêmen, que segundo para a ONU já é palco da pior crise humanitária do mundo atualmente.

Espera-se que Biden anuncie, ainda, um experiente diplomata de carreira, Timothy Lenderking, como enviado para o Iêmen, disse à AFP uma fonte familiarizada com o assunto.

- "A Rússia deve prestar contas" -

Em outra reversão dos planos de seu antecessor, Biden vai "congelar" o plano iniciado por Trump para reduzir a presença de tropas americanas na Alemanha, uma pedra angular da segurança da OTAN desde o início da Guerra Fria.

"Ele anunciará ... uma revisão da situação das forças globais e, enquanto essa revisão estiver pendente, congelará qualquer redistribuição de tropas na Alemanha", disse Jake Sullivan, assessor de segurança nacional da Casa Branca.

Trump, que mantinha uma relação fria com Berlim, disse em junho que queria reduzir muito o número de militares na Alemanha, de cerca de 35.000 para cerca de 25.000.

Posteriormente, o Pentágono especificou que a retirada seria de cerca de 12.000 soldados, com o repatriamento de 6.400 para os Estados Unidos, enquanto os outros 5.600 seriam reposicionados em outros países da OTAN.

A decisão de Trump foi vinculada a seu relacionamento tenso com a Alemanha e a União Europeia sobre questões comerciais, mas levantou preocupações de que ele estivesse enfraquecendo a segurança dos países ocidentais em face da Rússia.

Mas Sullivan também mostrou a firmeza do novo governo em relação a Moscou. "Ao contrário do governo anterior, vamos tomar decisões para responsabilizar a Rússia pela série de atividades desestabilizadoras que vem conduzindo", disse Sullivan, sem dar um cronograma ou detalhes.

Biden, que culpa o Kremlin por um ataque cibernético massivo e o acusa de intromissão nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, rapidamente endureceu a posição de Washington em relação a Moscou.

Os Estados Unidos também denunciaram a prisão de Alexei Navalny, um dos poucos opositores restantes do presidente russo Vladimir Putin.

Sullivan também disse que a Casa Branca avalia "sanções específicas" contra entidades que apoiam financeiramente militares birmaneses, após o golpe desta semana contra o governo civil de Aung San Suu Kyi.

“Estamos analisando sanções específicas dirigidas a indivíduos e entidades controladas pelos militares”, disse ele.

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