Biden encontra AMLO no México, com migração e fentanil na pauta

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No México desde este domingo (8), o presidente dos EUA, Joe Biden, encontra-se nesta segunda-feira (9) com seu homólogo mexicano, Andrés Manuel López Obrador, para um fórum regional que enfocará as temáticas da migração, das drogas e da segurança.

A Cúpula dos Líderes da América do Norte -ou Cúpula dos Três Amigos, como o fórum também é conhecido- conta ainda com o premiê do Canadá, Justin Trudeau, e teve a última edição em novembro de 2021. A edição deste ano tem palco na Cidade do México.

Juntos, os três líderes também devem abordar até esta quarta-feira (11) a mudança climática e integração econômica. O fórum, espera-se, será norteado por acontecimentos recentes na região, que dialogam com a agenda previamente estabelecida.

No domingo, antes de aterrissar no México, Biden fez sua primeira visita à fronteira dos EUA com o país vizinho desde o início do seu mandato, em 2021. Dias antes, o governo do democrata havia anunciado uma nova política de migração criticada por ativistas e especialistas no assunto.

O programa detalhado pela Casa Branca permitirá a entrada mensal de até 30 mil migrantes venezuelanos, cubanos, nicaraguenses e haitianos por dois anos, mas, ao mesmo tempo, reforçará as expulsões para o México daqueles que entrarem ilegalmente em território americano.

O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, que acompanha Biden na viagem, disse que nenhum nova acordo sairá da cúpula -o arranjo divulgado na última semana, afinal, foi coordenado com o governo de AMLO, como o líder mexicano também é conhecido. No entanto, "não há razão para acreditar que não haverá um terceiro passo em algum momento", acrescentou.

Segundo o Comitê Internacional de Resgate, um grupo humanitário, sem um plano robusto para lidar com os refugiados, as novas medidas apenas colocarão os requerentes de asilo em situações perigosas. A medida, porém, foi vista "com muita simpatia" pelo governo mexicano, disse o chanceler do país, Marcelo Ebrard.

"Tem de haver um caminho regular, por onde a pessoa possa ir trabalhar nos Estados Unidos", afirmou durante entrevista coletiva na manhã desta segunda. "Pela primeira vez, os EUA começam a falar e estabelecer documentos oficiais sobre mobilidade de trabalho."

De acordo com AMLO, há convergência entre os dois países em relação ao assunto. "Concordamos que precisamos entender as causas da migração. As pessoas não abandonam suas cidades porque querem, mas por necessidade. É preciso garantir oportunidades aos cidadãos e trabalhadores de todos os países em seus lugares de origem."

O presidente mexicano, que acompanhou Biden após a sua chegada, citou programas de investimento em países como Honduras e El Salvador para diminuir a migração.

O tráfico de fentanil deve ser outro tema central durante a cúpula. Na última quinta-feira (5), o líder mexicano do narcotráfico Ovidio Guzmán, filho de Joaquín "El Chapo" Guzmán, preso nos EUA, foi detido por autoridades mexicanas no estado de Sinaloa, no norte do México. Washington pede sua extradição, e o caso está sob análise da Justiça mexicana.

Um surto de mortes por overdose nos EUA, alimentado pelo opioide sintético fentanil, gerou uma pressão maior sobre o México para combater as organizações -como o Cartel de Sinaloa- responsáveis por produzir e transportar a droga.

Os EUA enfrentam uma crise de opioides que já provocou mais de meio milhão de mortes nos últimos 20 anos. "Vamos enfrentar abertamente o fentanil", afirmou AMLO.

O mexicano disse que não tratou com Biden da invasão das sedes dos três poderes por bolsonaristas em Brasília no último domingo porque os três líderes da cúpula já se pronunciaram. "Vamos continuar apoiando o presidente Lula, que foi eleito democraticamente", afirmou. "É um consenso dos países americanos."