Biden mira anúncio de parcerias econômicas para aliviar desgaste sobre Cúpula das Américas

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***ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF,  BRASIL,  17-06-2014 - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.  (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, BRASIL, 17-06-2014 - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

LOS ANGELES, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, usará a cerimônia de abertura oficial da Cúpula das Américas, nesta quarta-feira (8), para divulgar novas parcerias econômicas com países do continente.

Trata-se de uma tentativa de cumprir a ideia americana de usar o evento para se reaproximar dos vizinhos e reafirmar a liderança sobre a região, abalada após a gestão de Donald Trump --que, aliás, faltou à edição de 2018 da cúpula. Biden, porém, iniciará o encontro sob desconfiança: o desgaste com a decisão de não convidar líderes de Cuba, Nicarágua e Venezuela resultou em ausências simbólicas, incluindo a de dirigentes de países que são o principal alvo desse pacote.

O discurso do americano está marcado para as 17h, no horário local (21h em Brasília). O principal anúncio deve ser de uma verba de US$ 300 milhões para combater a falta de alimentos na região, uma reforma ampla do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e programas ligados a energia limpa e redução de poluentes, segundo um alto funcionário da Casa Branca, além de mais parcerias na área da saúde e na defesa da biodiversidade.

O valor do pacote contrasta com o anúncio feito por Kamala Harris, nesta terça (7), de investimentos que devem ser feitos pelo setor privado em novos negócios na América Central: US$ 1,9 bilhão. A vice tem sido destacada por Biden para tratar de temas da região --há um ano, ela foi à Guatemala para discutir a crise migratória e deu o recado de "não venham [aos EUA]" a quem pensava em entrar irregularmente no país.

Segundo Kamala, a expectativa é que a ação de empresas americanas como Gap, Visa e Yazaki ajude a melhorar a economia e as oportunidades para moradores de países como El Salvador, Guatemala e Honduras --cujos respectivos presidentes, Nayib Bukele, Alejandro Giammattei e Xiomara Castro, estarão ausentes da Cúpula das Américas, representados por ministros.

A lista de novos empreendimentos inclui redes de banda larga fixa e de telefonia móvel, expansão de pagamentos digitais, fábricas de roupas e autopeças e plantações de banana e abacate. A Casa Branca calcula que desde 2021 o setor privado já se comprometeu a fazer US$ 3,2 bilhões em investimentos na América Central.

O governo americano também anunciou, antes da cúpula, ações de defesa da democracia no continente, como um investimento de US$ 77 milhões para fomentar instituições da sociedade civil e outro de US$ 42 milhões para ampliar a liberdade de expressão e fortalecer mídias independentes.

O encontro de líderes da Cúpula das Américas começa oficialmente nesta quarta, mas delegações de países como Panamá e Chile chegaram antes e participaram de eventos paralelos, como um encontro de CEOs. Realizada desde 1994, a cúpula é o maior fórum internacional do continente. Os EUA sediam o evento pela segunda vez. De 34 países, 8 decidiram não mandar seus chefes de Estado e 3 não foram convidados, em um sinal do distanciamento com Washington.

Há casos como o do uruguaio Luis Lacalle Pou, que cancelou a viagem por ter contraído Covid, mas outros usaram a decisão americana de não chamar os líderes de Cuba, Nicarágua e Venezuela, ditaduras consideradas párias pelos EUA, como forma de marcar posição.

É o que fizeram o boliviano Luis Arce e o mexicano Andrés Manuel Lopez Obrador. Este deve ser a ausência mais sentida, tanto pelo peso econômico do país na América Latina quanto pela relevância na questão da migração, um dos temas que os anfitriões querem debater no encontro. Xiomara manteve a posição de não ir mesmo após receber um telefonema de Kamala, no fim de maio.

Biden quer convencer os demais líderes a assinar um documento com medidas sobre migração, que estimulem os cidadãos a ficar em seus países, combatam o tráfico de pessoas e aumentem a dignidade no tratamento de migrantes em situação irregular. O tratado, batizado de Declaração de Los Angeles, deve ser finalizado até sexta (10), último dia do encontro, se houver consenso.

Para o representante da Casa Branca, a ausência de AMLO e de outros presidentes não dificultará os debates sobre o tema, pois o México enviará uma grande delegação ao encontro e tem participado das conversas sobre o documento. Ele disse considerar a divergência com o esquerdista algo pontual, que não afetará as relações entre os países --o senador democrata Robert Menendez, líder da Comissão de Assuntos Exteriores do Senado, por sua vez, afirmou o contrário.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) deve chegar a Los Angeles na quinta (9), e ter uma reunião bilateral com Biden na mesma data --será a primeira conversa dos dois líderes desde que o democrata chegou ao poder. Na noite de sexta (10) o brasileiro viajará a Orlando, na Flórida, onde no sábado deve inaugurar um vice-consulado do Brasil na cidade e se encontrar com apoiadores.

A pauta da conversa com o presidente americano pode incluir a recuperação econômica pós-pandemia, insegurança alimentar e a crise climática, mas a lista de tópicos será definida pelos dois. Sobre a reunião, um representante da Casa Branca disse que é notório que há desentendimentos com o governo brasileiro, mas que a conversa deverá ser sincera e direta, já que os países possuem muitos interesses e preocupações em comum.

Nesta terça, em entrevista ao SBT News, Bolsonaro voltou a falar na possibilidade fantasiosa de o pleito dos EUA de 2020 ter sido fraudado. "Quem diz [sobre fraude] é o povo americano. Eu não vou entrar em detalhe na soberania de um outro país. Agora, o Trump estava muito bem e muita coisa chegou para a gente que a gente fica com o pé atrás. A gente não quer que aconteça isso no Brasil", disse, ecoando o discurso do antecessor de Biden.

Bolsonaro sofre críticas no exterior por sua política para a Amazônia e pelos frequentes ataques à democracia e ao sistema eleitoral brasileiro. Nesta terça, 71 organizações, incluindo Artigo 19, Conectas, Greenpeace Brasil, Instituto Sou da Paz e Idec, enviaram uma carta conjunta ao presidente americano pedindo que tenha cuidado ao fazer acordos com o líder brasileiro.

"Se a democracia brasileira cair, sr. presidente, todos os seus esforços para 'Construir um Futuro Sustentável, Resiliente e Equitativo' na Cúpula das Américas terão sido em vão. Da mesma forma, a continuação do governo de Bolsonaro condenaria a Floresta Amazônica e os povos da floresta", diz o documento.

Um protesto contra Bolsonaro, organizado por ativistas ambientais, foi marcado para a manhã desta quarta (8) em Los Angeles, em frente à prefeitura. O desaparecimento do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira pode servir para aumentar a pressão. Indagado na entrevista ao SBT sobre a possibilidade de Biden trazer à tona a questão ambiental, especialmente o desmatamento, na reunião bilateral, o brasileiro disse não acreditar que isso irá ocorrer. "Ele não vai, no meu entender, querer impor algo sobre o que eu devo fazer na Amazônia. Acho que ele me conhece, deve ter informações de quem me conhece."

O presidente brasileiro só decidiu viajar aos EUA depois de receber um emissário de Biden em Brasília. Além de afirmar que o democrata aceitaria se reunir com o brasileiro à margem da cúpula, o ex-senador Christopher Dodd disse que o governo americano não pretende criar constrangimentos para o líder brasileiro durante o evento.

QUEM ESTARÁ NA CÚPULA DAS AMÉRICAS

Representados por chefes de Estado

Antígua e Barbuda

Argentina

Bahamas

Barbados

Belize

Brasil

Canadá

Chile

Colômbia

Costa Rica

Dominica

Equador

Estados Unidos

Guiana

Haiti

Jamaica

Panamá

Paraguai

Peru

República Dominicana

Santa Lúcia

Suriname

Trinidad e Tobago

Representados por ministros ou outras autoridades

Bolívia

El Salvador

Granada

Guatemala

Honduras

México

São Cristóvão e Névis

Uruguai

Não foram convidados

Cuba

Nicarágua

Venezuela

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