Biden nega acusações de agressão sexual que ameaçam sua candidatura

(Arquivo) O ex-vice-presidente americano Joe Biden

O candidato democrata à eleição presidencial nos Estados Unidos, Joe Biden, 77, quebrou seu longo silêncio nesta sexta-feira, ao negar a acusação de agressão sexual feita por uma mulher que trabalhou em seu gabinete na década de 1990. "Isso nunca aconteceu", afirmou o político democrata que pretende derrotar Donald Trump em novembro.

Do porão de sua casa, onde está confinado devido ao novo coronavírus, Biden negou as acusações que, há mais de um mês, agitam os Estados Unidos, no momento em que é praticamente o candidato democrata para as eleições presidenciais do fim do ano.

Biden vinha sendo pressionado a responder pessoalmente às acusações de agressão sexual feitas por Tara Reade, 56, que sua campanha já havia desmentido.

Tara denunciou que o então senador a encurralou em um corredor do Capitólio e a penetrou com um dos dedos, quando ela tinha 29 anos.

"Não é verdade. Estou dizendo que isso nunca aconteceu", afirmou Biden no programa matinal da rede MSNBC. "Não sei por que, depois de 27 anos, isso foi levantado", continuou.

Em comunicado divulgado pouco antes, Biden disse que o superior de Tara nunca lhe "indicou que ela teria apresentado nenhuma queixa".

Tara e seu entorno deram entrevistas a vários veículos americanos e, no começo de abril, ela entrou com um recurso na polícia, sem citar Biden, ao qual a AFP teve acesso. Tara não divulgou nenhuma cópia de uma queixa que disse ter apresentado após os fatos, em 1993.

Biden disse que solicitou uma busca nos Arquivos Nacionais, para ver se existe uma pista deste documento. "Não tenho nada a esconder", afirmou.

Outras mulheres já acusaram o ex-vice-presidente americano de terem-nas tocado de forma imprópria, e, no princípio, Tara limitou-se a esta queixa, sem referir-se à agressão.

Biden ainda não é o candidato oficial do Partido Democrata, já que o mesmo deve ser escolhido durante a Convenção Nacional, adiada para agosto devido à pandemia do novo coronavírus.

Vários líderes republicanos citaram a diferença no tratamento que a imprensa deu às acusações contra Biden, em comparação com a denúncia contra o juiz conservador Brett Kavanaugh quando Trump o nomeou para a Suprema Corte.

- 'Parece muito acreditável'

Trump não perdeu a oportunidade de dizer a Biden que "lute" contra as acusações: "É um problema seu, mas gostaria que enfrentasse isso e o negasse. Se não é verdade, nega-se."

Apesar de o presidente americano parecer ter defendido Biden, ele disse achar que as acusações são mais sólidas do que as do caso Kavanaugh.

"Eu vi Tara e parece muito acreditável", comentou Trump, acrescentando que também havia ouvido uma gravação da mãe da denunciante, já falecida, e de outras pessoas a quem ela confiou as supostas acusações.

Durante o programa matinal da MSNBC, Biden foi questionado sobre seus comentários durante o processo de confirmação de Kavanaugh, em 2018.

Naquela época, o atual candidato disse que quando uma mulher apresenta acusações, "você tem que começar com a suposição de que, ao menos a essência do ela fala, é real".

Ao ser perguntado sobre a diferença em relação às acusações atuais, Biden respondeu: "Deve-se acreditar nas mulheres, dar a elas o benefício da dúvida. Depois, deve-se olhar para as circunstâncias e os fatos. A verdade importa. Estas denúncias não são verdadeiras", finalizou.

O presidente Trump, por sua vez, já foi acusado de agressão sexual em diversas ocasiões