Biden nega discussão sobre exercícios nucleares com Coreia do Sul

Por Soo-hyang Choi e Trevor Hunnicutt

SEUL/WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos não estão discutindo exercícios nucleares conjuntos com a Coreia do Sul, disse nesta segunda-feira o presidente norte-americano, Joe Biden, contradizendo comentários de seu colega sul-coreano num momento em que as tensões com a Coreia do Norte aumentam.

O presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol, disse que Seul e Washington discutem possíveis exercícios conjuntos usando ativos nucleares dos EUA, enquanto o líder norte-coreano, Kim Jong Un, classificou o Sul como seu "inimigo indubitável".

"Não", disse Biden quando questionado por jornalistas na Casa Branca se discute exercícios nucleares conjuntos com a Coreia do Sul no momento.

O presidente norte-americano havia acabado de voltar de férias nas Ilhas Virgens Americanas, onde estava acompanhado de seu assessor de segurança nacional, Jake Sullivan.

Os comentários de Yoon, em uma entrevista a um jornal publicada nesta segunda-feira, seguiram seu apelo à "preparação para a guerra" com uma capacidade "esmagadora", após um ano de número recorde de testes de mísseis norte-coreanos e a intrusão de drones norte-coreanos no sul na semana passada.

"As armas nucleares pertencem aos Estados Unidos, mas o planejamento, o compartilhamento de informações, os exercícios e o treinamento devem ser conduzidos conjuntamente pela Coreia do Sul e pelos Estados Unidos", disse Yoon em entrevista ao jornal Chosun Ilbo.

Segundo o jornal, Yoon disse que o planejamento e os exercícios conjuntos visariam uma implementação mais eficaz da "dissuasão estendida" dos EUA e que Washington também estava "bastante positivo" sobre a ideia.

O termo "dissuasão estendida" implica na capacidade dos militares dos EUA, particularmente suas forças nucleares, de impedir ataques a aliados americanos.

Os Estados Unidos há muito mantêm um diálogo prolongado de dissuasão com o Japão sobre questões nucleares e iniciaram o mesmo diálogo com a Coreia do Sul em 2016, disse Thomas Countryman, ex-subsecretário de Estado interino para controle de armas, que presidiu a primeira reunião do diálogo.

"Não está imediatamente claro o que há de novo na declaração do presidente Yoon e o que é uma reformulação de coisas que já estão acontecendo", disse Countryman nesta segunda-feira em entrevista por telefone.

Agora presidente do conselho da Associação de Controle de Armas, Countryman disse que os comentários de Yoon, dirigidos ao povo sul-coreano, pareciam ser uma resposta ao que Countryman chamou de provocações e retórica da Coreia do Norte.

"Vejo isso como um esforço do presidente Yoon e do governo Biden para tranquilizar o governo e o povo da Coreia do Sul de que o compromisso dos EUA permanece sólido."

As declarações de Yoon foram publicadas um dia após a mídia estatal norte-coreana noticiar que seu líder, Kim, pediu o desenvolvimento de novos mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) e um "aumento exponencial" do arsenal nuclear do país.

(Reportagem de Soo-hyang Choi, em Seul, e Trevor Hunnicutt, em Washington; Reportagem adicional de Doina Chiacu e David Brunnstrom, em Washington)