Biden oferece asilo a cidadãos de Hong Kong 'alegando repressão' da China

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Cidadãos de Hong Kong protestam contra a democracia em Nova York em junho
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O presidente americano, Joe Biden, ofereceu nesta quinta-feira (5) asilo temporário aos cidadãos de Hong Kong que atualmente estão nos Estados Unidos e temem retornar pois alegam "repressão" da China.

Biden disse que esta medida reconhece "a erosão significativa" dos direitos e liberdades na ex-colônia britânica pelo governo chinês.

Hong Kong foi devolvida por Londres a Pequim em 1997 no âmbito de um acordo que pretendia garantir no território, durante 50 anos, liberdades desconhecidas no resto da China.

Biden citou as "prisões por motivos políticos" de mais de 100 líderes da oposição, ativistas e manifestantes sob a lei de segurança nacional, com acusações de secessão, subversão e atividades terroristas.

Mais de 10.000 pessoas foram presas em conexão com protestos antigovernamentais, disse ele.

A nova decisão concede o benefício de Saída Forçada Diferida (DED, na sigla em inglês) para residentes de Hong Kong atualmente nos Estados Unidos, permitindo que permaneçam por 18 meses, mesmo que seus vistos tenham expirado.

É diferente da classificação migratória mais formal do "Status de Proteção Temporária" (TPS), concedida a alguns estrangeiros que não podem retornar a seus países devido a desastres naturais ou convulsões políticas.

"Esta medida demonstra o forte apoio do presidente Biden ao povo de Hong Kong diante da repressão em curso pela República Popular da China", disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki.

- Promessa de democracia atenuada -

A embaixada da China nos Estados Unidos criticou o anúncio de Biden. "Essas estratégias ignoram e distorcem os fatos e interferem grosseiramente nos assuntos internos da China", disse o porta-voz Liu Pengyu à AFP.

Desde a entrada em vigor da Lei de Segurança Nacional, "a ordem social foi restaurada, o estado de direito e a justiça foram mantidos" e os direitos foram melhor protegidos, alegou ele, acrescentando que "este é um fato inegável que todas as pessoas imparciais reconheceriam".

Essa lei, introduzida pela China em 30 de junho de 2020 após os protestos maciços pró-democracia em 2019, dá a Pequim mais controle sobre o Judiciário do território semiautônomo e penaliza muitas atividades políticas.

Críticos dizem que a norma está sendo usada para minar o esquema de "um país, dois sistemas", implantado quando a ex-colônia britânica foi devolvida à China.

As prisões de políticos da oposição sufocaram a liberdade de expressão e deixaram ativistas com medo de serem presos ou outras punições, inclusive no exterior.

Em junho, a polícia de Hong Kong invadiu os escritórios do jornal pró-democracia Apple Daily, fechando-o e prendendo executivos importantes.

"A promessa de democracia de Hong Kong foi atenuada", afirmou o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, em um comunicado nesta quinta-feira.

- "Riscos crescentes" -

A decisão de Biden de conceder o DED aos habitantes de Hong Kong chega quase três semanas após o governo dos Estados Unidos advertir formalmente as empresas americanas sobre os "riscos crescentes" de operar no centro financeiro asiático.

O Ministério das Relações Exteriores da China disse que a medida de 16 de julho foi projetada para "difamar sem fundamento o ambiente de negócios de Hong Kong" e retaliou impondo sanções a sete indivíduos e entidades americanas.

O Conselho Democrático de Hong Kong, com sede em Washington, um dos afetados pelas sanções, celebrou o DED para os honcongueses nos Estados Unidos.

"Representará a diferença entre viver livremente enquanto se continua a lutar pelos direitos humanos e pela democracia em Hong Kong e ser forçado a retornar a Hong Kong para passar anos ou até uma vida atrás das grades", declarou o diretor administrativo do conselho, Samuel Chu.

Segundo Chu, um cidadão americano para quem as autoridades de Hong Kong emitiram um mandado de prisão, o DED poderia beneficiar cerca de 1.500 a 2.000 estudantes de Hong Kong em território americano e possivelmente dezenas de milhares de pessoas que entraram no país como turistas ou outros vistos temporários.

A decisão de Biden provavelmente inflamará ainda mais o relacionamento sino-americano.

Pequim e Washington estão em desacordo sobre as polêmicas reivindicações territoriais da China sobre Taiwan e as ilhas no Mar da China Meridional. Os EUA também criticam a China por roubo de propriedade intelectual e pela repressão generalizada aos uigures e outras minorias na região de Xinjian.

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