Biden planeja conversa com Xi em meio a tensões em Taiwan

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que planeja conversar com o líder chinês, Xi Jinping, até o final deste mês. Os dois países, no contexto da chamada Guerra Fria 2.0, enfrentam um período de tensões latentes, envolvendo temas como o status de Taiwan, a Guerra da Ucrânia e o possível corte de tarifas de importação em Washington.

"Acho que conversarei com o presidente Xi nos próximos dez dias", disse Biden a jornalistas ao retornar de uma viagem Massachusetts na qual anunciou projetos de combate à crise climática.

O telefonema seria o primeiro entre os dois líderes em quatro meses, e já havia sido ventilado pelo secretário de Estado, Antony Blinken, após uma reunião de chanceleres do G20 na Indonésia.

Ainda que encontros bilaterais tenham colocado frente a frente algumas autoridades de parte a parte, as tensões entre EUA e China voltaram a crescer nos últimos meses. Movimentações militares americanas na região próxima a Taipé tiveram reações de retórica forte, e Washington voltou a fazer alertas em relação ao alinhamento de Pequim com a Rússia.

A China considera Taipé uma província rebelde, enquanto os EUA, sob Biden, reforçaram seu compromisso "sólido" com a segurança da ilha. Na terça (19) e na semana passada, navios americanos transitaram pelo estreito de Taiwan, irritando Pequim.

Pequim disse ainda que responderá com "medidas vigorosas" caso a presidente da Câmara dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, visite a região. A viagem estava agendada para abril, mas Pelosi contraiu Covid e adiou os planos.

Nesta quarta (20), porém, Biden lançou dúvidas sobre a ida da deputada à Ásia, talvez agendada para o próximo mês. Segundo o presidente, "os militares acham que não é uma boa ideia no momento", mas ele disse não saber qual o status da questão. O Departamento de Estado chamou a viagem de hipotética, e o gabinete de Pelosi não fez comentários, citando preocupações de segurança.

A chancelaria de Taiwan disse que tem uma relação de confiança mútua com os EUA e canais de comunicação efetivos, acrescentando que não recebeu "informações precisas" sobre uma visita da parlamentar democrata.

A relação sino-americana também vem sofrendo desgastes devido à Guerra da Ucrânia. No mês passado, Washington pressionou a Otan (aliança militar ocidental) a adotar um documento estratégico chamando a China de "desafio à segurança". Os EUA veem em Pequim seu principal rival estratégico, e Xi firmou com o russo Vladimir Putin uma "aliança sem limites" antes de o conflito estourar.

O governo Biden ainda está em desacordo com a China devido ao descumprimento de compromissos em acordos de comércio e com a OMC (Organização Mundial do Comércio). Apesar desses fatores, a pressão inflacionária nos EUA pode fazer com que o presidente promova um alívio tarifário, amenizando taxas que, na gestão de Donald Trump, ajudaram a deflagrar a guerra comercial entre os dois países.

A inflação nos EUA chegou, em junho, a 9,1%, o maior nível em 40 anos, e o Fed (Federal Reserve), banco central do país, aumentou a taxa de juros em 0,75 ponto percentual no mês passado. Biden também avalia se deve combinar a remoção de tarifas com uma nova investigação sobre subsídios industriais da China e os esforços para dominar setores-chave, como o de semicondutores.

CIA DIZ QUE CHINA PODE USAR FORÇA CONTRA TAIWAN

Segundo William Burns, chefe da CIA, a agência de inteligência americana, a China passou a considerar o uso da força contra Taiwan com base na Guerra da Ucrânia, o que pode trazer insegurança para a região em pouco tempo.

"Parece-nos que [a guerra] não afeta realmente a questão de saber se os líderes chineses podem optar por usar a força contra Taiwan nos próximos anos, mas quando e como eles o farão", disse o chefe da agência durante um fórum de segurança nesta quarta (20).

Porém, Burns minimizou o risco de que Xi Jinping tome medidas antes do final do ano, apesar de analistas acreditarem que ele poderá fazê-lo após reuniões do Partido Comunista. "Esses riscos estão aumentando, parece-nos, quanto mais você avança nesta década."

O chefe da CIA também disse acreditar que a China interpreta a guerra como uma prova de que "vitórias rápidas e decisivas não são alcançadas" sem forte uso de meios militares e preparação contra sanções econômicas.

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