Biden prepara conversa com Xi e se opõe a visita da presidente da Câmara a Taiwan

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O presidente americano Joe Biden anunciou, na quarta-feira, que deve conversar com o líder chinês, Xi Jinping, “nos próximos dez dias”, no momento em que as divergências entre os dois países sobre a guerra na Ucrânia e o status de Taiwan estão elevadas, e em meio a discussões sobre mudanças nas políticas tarifárias dos EUA sobre importações chinesas.

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Biden não deu muitas explicações: além do prazo estimado para o diálogo, que será realizado por videoconferência, disse apenas esperar que ele aconteça, e o governo chinês disse não ter informações sobre uma conversa nos próximos dias.

A última vez em que os dois falaram entre si, também à distância, foi no dia 18 de março, quando Biden alertou o líder chinês para que não fornecesse apoio material para uma eventual invasão russa da Ucrânia.

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Os tanques da Rússia entraram no país vizinho dias depois, e a China ampliou sua parceria econômica com Moscou, ajudando a reduzir os impactos das sanções internacionais contra o país, mas sem dar, ao menos publicamente, apoio militar para a guerra. Pequim também não condenou a invasão, como queriam Biden e outras lideranças ocidentais.

Mas quase quatro meses depois da conversa, a situação dentro dos Estados Unidos também é outra: a decisão de impor um embargo ao petróleo importado da Rússia e a maior demanda pelo produto no mercado internacional contribuíram para a elevação dos preços do barril e, consequentemente, da gasolina nos postos americanos.

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Esse, além da disparada nos preços dos alimentos, também ligada à guerra, foi um dos principais fatores na alta da inflação nos EUA, que está em seus maiores níveis em quatro décadas, e pode levar a uma derrota de Biden nas eleições legislativas de novembro. Como parte das medidas para amenizar a pressão inflacionária, o governo pretende eliminar algumas das tarifas de importação sobre produtos chineses, adotadas ainda no contexto da Guerra Tarifária de Donald Trump.

De acordo com o site Politico, a redução poderá ser imediata em itens de consumo, como bicicletas e itens de vestuário, mas o impacto real pode ser mínimo, como apontam analistas: segundo um cálculo do Politico, elas abrangem apenas o equivalente a US$ 10 bilhões em importações, enquanto o aumento das tarifas aplicado por Trump atinge produtos com valor de importação de até US$ 370 bilhões.

Apesar de dar, em tese, algum respiro nas negociações futuras com os chineses, existe o temor de que a redução das tarifas de importação possa ser mal recebida por líderes sindicais — muitos deles são a favor da manutenção das atuais tarifas — e custar votos aos democratas em novembro.

Diálogo complexo

Em junho, quando os líderes do G7 se reuniram na Alemanha, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, disse que um telefonema entre Biden e Xi deveria ocorrer “nas semanas seguintes”, e contatos entre representantes de alto escalão dos dois lados sugeriam que uma conversa estava de fato saindo do papel.

No começo do mês, durante a reunião de chanceleres do G20, os chefes da diplomacia dos EUA, Antony Blinken, e da China, Wang Yi, se encontraram em Nusa Dua, na Indonésia, e afirmaram terem mantido uma conversa “transparente”. Blinken afirmou ter deixado claro ao seu homólogo as posições americanas sobre a parceria de Pequim com a Rússia, e voltou criticar o alinhamento dos dois países, afirmando que os chineses “ajudam a amplificar a propaganda russa” em fóruns internacionais, como na ONU.

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Wang Yi não deu detalhes sobre a conversa que teve com Blinken, mas ressaltou o que seu governo vê uma crescente “sinofobia” por parte da Casa Branca — ele se referia à atual posição da diplomacia americana, que considera a China como seu maior “competidor”, e busca ampliar sua presença na Ásia através do estreitamento dos laços com parceiros e fóruns multilaterais.

Caso a conversa se confirme, Biden e Xi devem expressar, mais uma vez, suas diferenças sobre o status de Taiwan, uma ilha com governo próprio e democrático, mas que é considerada uma província rebelde pelos chineses.

Em seus contatos com líderes na Ásia e Oceania, Biden vem ressaltando que trabalhará por uma região Indo-Pacífica livre e aberta, e não são raras as referências a Taiwan: pelo ato que rege as relações entre a ilha e Washington, os americanos se comprometem com o princípio de “Uma China”, evitando o reconhecimento diplomático, e adotam uma postura conhecida como “ambiguidade estratégica”, sem um compromisso formal para intervir no caso de uma invasão militar chinesa.

Contudo, a postura mais assertiva de Washington, e uma série de gafes cometidas por Biden, sugerindo que os EUA poderiam se envolver militarmente no caso de um ataque da China, acenderam sinais de alerta em Pequim.

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Os americanos, por sua vez, estão preocupados com um aumento no número de voos de aeronaves chinesas em áreas próximas ao espaço aéreo de Taiwan, e alguns analistas acreditam que Pequim possa se “inspirar” na invasão russa da Ucrânia para tentar algo parecido.

Ainda na quarta, Biden afirmou que os militares dos EUA se opõem a uma possível visita da presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, a Taiwan. Mesmo afirmando não saber qual seria o caráter da viagem, ele sugeriu que “não seria uma boa ideia” neste momento.

Os planos foram revelados pelo Financial Times, e o tour incluiria Cingapura, Japão, Indonésia e Malásia. Em abril, a deputada lideraria uma comissão de congressistas em uma visita a Taiwan, mas precisou cancelar a viagem após ter sido diagnosticada com Covid-19. Ela é uma conhecida crítica das políticas chinesas para a ilha, e a repórteres disse desconhecer os motivos que levaram os militares a desaconselhar a viagem.

Ao comentar os planos de Pelosi, o porta-voz da Chancelaria chinesa, Zhao Lijian, afirmou que ela provocaria “grandes danos”, além de “impactar seriamente as fundações políticas das relações entre EUA e China”.

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