Biden prevê imunidade coletiva até verão nos EUA, e mundo se fecha cada vez mais

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Aeroporto internacional Ben Gurion, de Tel Aviv, pouco antes da entrada enm vigor do cancelamento de voos de e para Israel, em 25 de janeiro de 2021

Joe Biden vaticinou, na segunda-feira (26) que os Estados Unidos alcançarão a imunidade coletiva da covid-19 até o verão (inverno no Brasil), doença cuja propagação está levando vários países a endurecerem as restrições de entrada em seus territórios, apesar da campanha de vacinação em curso em vários deles.

O recém-empossado presidente garantiu que os Estados Unidos, o país mais brutalmente atingido pela pandemia, com mais de 420.000 mortos, estarão "a caminho da imunidade coletiva" até o verão boreal, e que a vacina poderá ser administrada em massa na primavera (outono no Brasil).

"Será um desafio logístico que excederá tudo o que já tentamos neste país", disse ele à imprensa, ao se referir à vacinação em massa.

Enquanto isso, os Estados Unidos se somaram a Israel, França e Suécia para limitar certas chegadas, respondendo a preocupações sobre cepas mais novas e contagiosas do vírus originada no Reino Unido, África do Sul e Brasil.

Ontem (25), a Nova Zelândia anunciou que detectou um caso da variante sul-africana, e os Estados Unidos relataram o primeiro caso da cepa brasileira.

Nesse contexto, a empresa americana de biotecnologia Moderna quis enviar uma mensagem de esperança, ao assegurar que sua vacina é eficaz contra as variantes britânica e sul-africana do coronavírus.

Os especialistas estão confiantes em que a vacina "deve proteger contra essas variantes recém-detectadas", disse a Moderna, após um teste de laboratório, acrescentando que tentarão desenvolver uma dose adicional para aumentar a proteção contra essas cepas.

No México, o presidente Andrés Manuel López Obrador se tornou a figura pública mais recente com teste positivo para a doença. Ele diz ter sintomas leves e está trabalhando, isolado, em seu gabinete. Também no México, o magnata das comunicações Carlos Slim, o homem mais rico da América Latina, relatou estar infectado com o vírus, embora com "sintomas menores".

Quarto país mais enlutado pela doença em números absolutos, o México superou a barreira das 150 mil mortes, conforme dados oficiais divulgados na segunda-feira.

Em Washington, entrou em vigor, na segunda-feira, a proibição de entrada à maioria dos cidadãos não americanos procedentes de Reino Unido, Brasil, Irlanda e grande parte da Europa, assim como da África do Sul, de acordo com um funcionário de alto escalão da Casa Branca.

Biden na semana passada apertou as regras sobre o uso de máscaras e ordenou uma quarentena para as pessoas que voam para o país, que ultrapassou 25 milhões de casos e registrou 420.965 mortes.

- Mais restrições -

Desde que surgiu no final de 2019 na China, a covid-19 matou mais de 2,1 milhões de pessoas e infectou 99,4 milhões, de acordo com o último balanço da AFP baseado em números oficiais.

Preocupada em evitar o fechamento de fronteiras dentro da União Europeia (UE), a Comissão Europeia recomendou ontem aos Estados-membros do bloco que implementem novas restrições de deslocamento em suas áreas mais afetadas.

No domingo, a França começou a exigir um teste PCR negativo para cidadãos procedentes de países vizinhos da UE.

A Suécia disse que vai proibir a entrada da Noruega por três semanas, depois que casos da cepa britânica mais infecciosa foram detectados em Oslo.

Enquanto isso, na Espanha, um dos países mais atingidos da Europa, com mais de 55 mil óbitos pela covid-19 e quase 2,5 milhões de infecções, o governo anunciou que o ministro da Saúde, Salvador Illa, deixará o cargo na terça-feira para fazer campanha como candidato nas eleições regionais catalãs.

Além de restringir a mobilidade, muitos governos estão endurecendo as medidas sanitárias, diante do temor de propagação das novas variantes.

Na Áustria, desde segunda-feira, é obrigatório o uso da máscara FFP2, considerada mais eficaz, nos transportes públicos, em lojas, hospitais, farmácias e outros locais públicos.

No auge do verão no sul, alguns dos balneários de praias e lagos mais populares do Chile serão colocados em quarentena esta semana, após uma nova medida do governo para evitar o colapso de hospitais com pacientes de covid-19.

- Atrasos nas vacinas e irritação -

Os cientistas dizem que a única forma de superar a pandemia é a vacinação em grande escala, mas sua aplicação está paralisada em muitos lugares. Até agora, mais de 63,5 milhões de doses de vacina foram administradas em pelo menos 68 países e territórios, de acordo com uma contagem de AFP.

A Polônia começou a vacinar as pessoas com mais de 70 anos na segunda-feira, enquanto a revolta toma a Europa com o atraso na distribuição das doses.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ligou para o presidente da AstraZeneca na segunda-feira para exigir que ele cumpra os prazos de entrega previstos.

Enquanto isso, o órgão regulador australiano do setor de saúde aprovou a vacina da Pfizer na segunda-feira, e o México fechou um acordo com a Rússia para a compra de 24 milhões de vacinas Sputnik V.

Também ontem, o laboratório americano Merck anunciou que estava interrompendo seus estudos de duas potenciais vacinas contra a covid-19, por não serem eficazes o suficiente.

Para agravar o problema, a escassez de seringas especiais pode dificultar os planos para obter uma dose extra do frasco da vacina da Pfizer/BioNtech, disse na segunda-feira o gigante de dispositivos médicos Becton Dickinson (BD).

- Confinamento e confrontos -

No Brasil, segundo país mais afetado do mundo, com pelo menos 217.664 mortos, o estado do Amazonas entrou em confinamento de uma semana desde ontem. Sua capital, Manaus, já registrou mais de 3.000 óbitos este mês, o mais letal desde a explosão da pandemia.

Ontem, o juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a abertura de inquérito para apurar a responsabilidade do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no colapso do sistema de saúde de Manaus em meio ao aumento do número de casos do novo coronavírus.

As diferentes medidas e restrições estão provocando uma forte rejeição por parte da população, o que tem levado a atos violentos em alguns países. Na noite de ontem, várias cidades da Holanda foram palco de distúrbios, pela segunda noite consecutiva, após a imposição, no último fim de semana, de um toque de recolher para lutar contra a pandemia.

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