Biden se aproxima da Casa Branca, mas contagem de votos prossegue e Trump denuncia fraude

Alina Dieste e Ariela Navarro, com Laura Bonilla em Nova York
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Centro de apuração de votos em Detroit, Michigan, em 4 de novembro de 2020

Biden se aproxima da Casa Branca, mas contagem de votos prossegue e Trump denuncia fraude

Centro de apuração de votos em Detroit, Michigan, em 4 de novembro de 2020

O candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, aproximava-se da presidência dos Estados Unidos na manhã desta quinta-feira (5), depois de vencer a eleição em estados cruciais, mas o presidente republicano Donald Trump denunciou fraude e iniciou vários processos judiciais sobre a apuração dos votos.

Biden acumula 264 votos no Colégio Eleitoral, seis a menos que os necessários para vencer, e Trump 214, depois que os democratas conquistaram dois estados-chave na quarta-feira: Michigan e Wisconsin.

Após uma campanha marcada pela intensa polarização, assim como pela pandemia de covid-19, a crise econômica e os protestos, os americanos aguardam o lento avanço da apuração de votos em cinco estados: Alasca (3 votos no Colégio Eleitoral), Geórgia (16), Carolina do Norte (15), Nevada (6) e Pensilvânia (20).

Trump, 74 anos, deixou claro que não aceitará a derrota sem questionar o resultado.

"Vencemos a eleição", declarou em um discurso na Casa Branca na quarta-feira, quando denunciou uma "fraude".

A campanha de reeleição do republicano apresentou recursos em Michigan, Pensilvânia e Geórgia e pediu uma recontagem em Wisconsin.

Apesar de Biden, 77 anos, estar mais próximo do número de votos necessário para ser declarado vencedor, Trump ainda tem chances e os Estados Unidos vivem uma situação que não era registrada desde a eleição de 2000, quando os resultados tampouco foram conhecidos poucas horas depois do fechamento das urnas, como é habitual.

Como aconteceu em 2016 com Hillary Clinton, Biden pode vencer no voto popular e perder a eleição se não conquistar os votos necessários no Colégio Eleitoral. 

O número mágico é 270, de um total de 538 do Colégio Eleitoral, o sistema americano de sufrágio universal indireto.

- "Paciência" -

Sem declarar vitória, Biden afirmou na quarta-feira que tem confiança em conquistar a Presidência.

"Cada voto deve ser contado", afirmou em um breve discurso em seu reduto de Wilmington, Delaware.

O coordenador de uma missão internacional de observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) criticou as "acusações sem fundamento" de Trump e disse que estas "minam a confiança" nas instituições democráticas.

A apuração prosseguia após uma eleição com nível de participação recorde e uma grande votação antecipada, tanto por correio como presencial. 

De acordo com o US Elections Project da Universidade da Flórida, 160 milhões de pessoas votaram nas eleições americanas, mais de 101 milhões delas de maneira antecipada. O número representa uma taxa de participação de 66,8%, contra 59,2% em 2016.

O país não vivia esta incerteza desde 2000, quando a disputa entre o republicano George W. Bush e o democrata Al Gore foi decidida na Suprema Corte a favor do primeiro.

Em estados como Nevada e Pensilvânia, pode ser necessário esperar até sexta-feira, pelo volume de cédulas que ainda não foram contadas.

Na Geórgia, a disputa também está muito acirrada, com Trump à frente por apenas meio ponto percentual, o que aumenta as perspectivas de uma recontagem.

A eleição pode ser decidida na Pensilvânia, onde Trump tem uma vantagem que está diminuindo à medida que os votos de distritos tradicionalmente democratas são contados.

O governador do estado, o democrata Tom Wolf, pediu "paciência" e prometeu que todos os votos serão contados da maneira apropriada.

Se a apuração terminar na Justiça, como em 2000, o resultado pode demorar semanas, disse à AFP Ed Foley, especialista em direito eleitoral da Universidade Estadual de Ohio.

Nas eleições, os democratas conservaram a maioria na Câmara de Representantes, mas as expectativas de retomar dos republicanos a maioria no Senado são mínimas.

No Senado, os democratas conseguiram, até agora, duas cadeiras que estavam em poder dos republicanos (Colorado e Arizona). Os republicanos - que na atual legislatura controlam 53 das 100 cadeiras - conseguiram conquistar uma vaga que era democrata no Alabama.

- Manifestações -

Em Portland, um dos epicentros da onda de manifestações antirracistas e contra a brutalidade policial este ano, um protesto terminou com pelo menos dez detidos.

"Queremos Trump fora da presidência, este é o principal objetivo", gritou um dos manifestantes.

Em Nova York, milhares de partidários de Biden participaram de uma passeata na Quinta Avenida para exigir "a contagem de cada voto".

Em Detroit, os simpatizantes de Trump pediram a interrupção da apuração no estado do Michigan, em um protesto marcado por tensão diante de um centro eleitoral.

No Arizona, eleitores do presidente se reuniram diante de um centro de apuração de votos no condado de Maricopa, onde está localizada Phoenix. Alguns manifestantes portavam armas - o que é legal no estado -, e policiais foram mobilizados para proteger o edifício.

Pouco antes da meia-noite, as autoridades de Maricopa divulgaram novos números da apuração. Trump reduziu a vantagem de Biden no Arizona, de 79.000 para menos de 69.000 votos, com 86% das urnas apuradas.

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