Biden se prepara para combater covid-19 apesar da resistência de Trump

Alina DIESTE
·4 minuto de leitura

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, implorou nesta segunda-feira (9) pelo uso de máscaras contra a covid-19 ao mergulhar de cabeça na organizaçao de seu próximo governo, enquanto Donald Trump, que se recusa a aceitar sua derrota, despediu o chefe do Pentágono, antecipando semanas tensas.

Biden começou a trabalhar para sua posse em 20 de janeiro, cumprindo o que anunciou em seu discurso de vitória no sábado: enfrentar a crise econômica e de saúde desencadeada pelo novo coronavírus, uma promessa central de sua campanha.

"Hoje começa este trabalho", afirmou o ex-vice-presidente de Barack Obama, em um breve discurso de seu reduto em Wilmington, Delaware, após realizar uma reunião virtual com a futura vice-presidente, Kamala Harris, e seu recém-nomeado conselho consultivo para lutar contra o vírus.

Ao contrário do presidente republicano, acusado de minimizar a pandemia desde o primeiro dia e de ignorar o conselho de sua própria equipe de crise contra a covid-19, o político democrata garantiu que seu governo será guiado pela ciência.

Por isso, insistiu no conselho número um dos especialistas para evitar o contágio: a máscara, "a arma mais poderosa" disponível no momento.

"Por favor, eu imploro, usem máscara... Façam por vocês mesmos. Façam pelo seu vizinho. Uma máscara não é um gesto político", disse ele, em alusão à relutância de muitos apoiadores de Trump em cobrir o rosto.

O tema da máscara foi altamente politizado antes das eleições de 3 de novembro, nas quais, Biden obteve cerca de 75 milhões de votos e Trump, cerca de 71 milhões, prova da profunda polarização do país.

Os Estados Unidos, o país mais atingido pela pandemia no mundo, ultrapassou o marco de 10 milhões de casos confirmados de covid-19 nesta segunda-feira, segundo a contagem da Universidade Johns Hopkins.

A covid-19 já deixou mais de 237 mil mortos e não dá sinais de desaparecer: há vários dias, o país registra 100 mil novos casos a cada 24 horas.

Mais cedo, Biden celebrou como motivo de "esperança" a notícia de que a vacina desenvolvida pela farmacêutica americana Pfizer e a alemã BioNTech mostrou 90% de eficácia contra o vírus, mas alertou que ainda há uma longa batalha pela frente.

- Demissão do chefe do Pentágono -

Trump também saudou com um tweet em maiúsculas a "grande notícia" da vacina e a "forte alta" das bolsas. 

Mas Trump, em uma posição sem precedentes para um presidente dos EUA, continua sem reconhecer o triunfo de seu adversário, insistindo em acusações de fraude. Embora seus advogados tenham acionado os tribunais, não há evidências de irregularidades significativas.

Os resultados oficiais das eleições divulgados no sábado mostram que Biden tem uma vantagem insuperável, com a apuração concluída em quase todo o país. E ainda que os resultados finais certificados possam levar semanas, não são esperadas mudanças significativas.

O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, porém, manteve seu apoio a Trump nesta segunda-feira e afirmou que o presidente "tem o direito de investigar denúncias de irregularidades" nas eleições.

Em uma decisão que não surpreendeu, mas gerou suspeitas nesse contexto, Trump anunciou no Twitter a saída do secretário de Defesa.

"Mark Esper foi demitido. Agradeço seu serviço", escreveu ele, que já indicou um substituto: o diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Christopher Miller.

As relações de Trump com o chefe do Pentágono estavam tensas desde junho, quando Esper se opôs publicamente ao envio do exército para reprimir os protestos anti-racismo que eclodiram no país após a morte de um afro-americano nas mãos de um policial branco.

- Transição ainda travada -

Sem mencionar Trump, Biden, de 77 anos, avança em seus preparativos para assumir o cargo: ele lançou o site BuildBackBetter.com (Reconstruir Melhor) e criou contas no Twitter para este período antes de sua chegada ao Salão Oval.

No entanto, o governo Trump não aderiu à tradicional cooperação esperada com a equipe de Biden, negando a ele até agora o pacote de transferência poder, que inclui escritórios e um orçamento.

Enquanto a Administração de Serviços Gerais (GSA), cujo dirigente foi nomeado por Trump, não notificar o resto do governo que Biden é o presidente eleito, o processo com os gabinetes do governo não pode começar.

Biden já tem pelo menos 279 votos eleitorais, nove a mais do que o necessário para ganhar a Casa Branca. Trump tem 214.

O final da disputa ainda não havia sido declarado até segunda-feira em quatro estados: Alasca, Arizona, Geórgia e Carolina do Norte. Mas mesmo se Trump vencesse Biden em todos eles, não seria o suficiente para chegar a 270.

"Devemos continuar a respeitar o processo", disse a senadora republicana Susan Collins, que foi reeleita, ao parabenizar Biden. "Ele ama este país e lhe desejo muito sucesso".

bur-ad/rsr/ic