Biden terá sua primeira reunião do G7, centrada em pandemia e vacinas

Germain MOYON
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Presidente dos EUA, Joe Biden, em Washington, em 17 de fevereiro de 2021

Um mês depois de sua chegada ao poder com a promessa da uma diplomacia norte-americana no extremo oposto da adotada por Donald Trump, Joe Biden participa nesta sexta-feira (19) de seu primeiro encontro com seus aliados do G7, encontro que se concentrará na resposta à pandemia e, sobretudo, nas vacinas.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, preside esta reunião que acontecerá na tarde de hoje, de forma virtual, entre os líderes de Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Canadá, Itália e Japão e na presença dos mais altos representantes da União Europeia.

Londres assumiu a presidência temporária do grupo e espera sediar em junho uma cúpula de líderes no balneário da Cornualha.

Este encontro é o primeiro desde abril de 2020, já que a situação sanitária mundial levou ao cancelamento da cúpula que estava sendo organizada por Trump.

Enquanto isso, a chegada à Casa Branca de seu sucessor democrata encerrou quatro anos de unilateralismo forçado, como demonstra o anúncio de Washington de retornar às organizações e aos compromissos multilaterais, como o Acordo de Paris sobre o Clima e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em suas primeiras entrevistas e discursos, Biden traçou as principais linhas da evolução da diplomacia norte-americana: posição mais dura com a Rússia de Vladimir Putin, distanciamento da Arábia Saudita, disposição para voltar ao acordo nuclear com o Irã e sinais de reaproximação com aliados maltratados no último governo republicano.

Como um sinal de sua vontade de reparar as relações transatlânticas, Biden deve falar com Boris Johnson e Angela Merkel na Conferência de Segurança de Munique nesta sexta-feira, um fato sem precedentes para um presidente americano neste evento anual que reúne chefes de Estado, diplomatas e especialistas em segurança.

- Retorno dos EUA

Em sua intervenção no G7, o democrata espera "se concentrar na resposta internacional à pandemia da covid-19, incluindo a coordenação da produção, distribuição e entrega de vacinas", disse a Casa Branca em um comunicado.

Durante esta "visita virtual à Europa", a mensagem principal do democrata será ressaltar "o retorno dos Estados Unidos a um compromisso multilateral" com as grandes potências, disse uma autoridade do governo americano.

A chanceler alemã, Angela Merkel, espera que o "G7 assuma a responsabilidade" pela pandemia, segundo seu porta-voz.

Em particular, será analisado o Covax, dispositivo da ONU criado por várias organizações internacionais, incluindo a OMS, ao qual Washington prometeu aderir. Na reunião, Biden anunciará a contribuição de US$ 4 bilhões para a Covax, antecipou a Casa Branca na quinta-feira (18).

Boris Johnson, que pode se gabar do sucesso de sua campanha de vacinação, prometeu redistribuir a maior parte de seu excedente por meio da Covax.

"Nosso primeiro dever é proteger nossa população", afirmou o secretário de Estado para as Relações Exteriores, James Cleverly, em entrevista à rede BBC, embora tenha insistido em que Londres está decidida a ajudar os países mais pobres.

Para além da covid-19, o líder britânico deverá defender uma cooperação sanitária reforçada, de modo a reduzir para 100 dias o tempo necessário para desenvolver vacinas contra novas doenças.

Já Biden também quer aproveitar o encontro para reiterar a prioridade que seu governo dará à questão climática.

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