Biden vai ao Oriente Médio e faz jogada de risco em meio a crise interna

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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  17-06-2014, 10h00: O vice presidente americano Joe Biden durante declaração à imprensa na Embaixada Americana em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 17-06-2014, 10h00: O vice presidente americano Joe Biden durante declaração à imprensa na Embaixada Americana em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Joe Biden embarcou para sua primeira viagem ao Oriente Médio como presidente dos Estados Unidos, na noite desta terça-feira (12), pensando tanto nas possíveis vitórias a colher quanto nos problemas dos quais será obrigado a se desviar —o maior deles sendo o timing.

Quando o tour por Israel, Palestina e Arábia Saudita foi anunciado, no começo de junho, o preço do petróleo estava em alta recorde, e a ida a uma região que é grande fornecedora global foi vista como tentativa de potencialmente contornar a questão: Biden poderia convencer os países a aumentar a produção e baixar preços.

"Os recursos energéticos [da região] são vitais para mitigar os impactos sobre os suprimentos globais da guerra da Rússia na Ucrânia. E a aproximação via diplomacia e cooperação reduz os riscos de avanço da violência extremista que ameaça nosso território [dos EUA]", escreveu o presidente em artigo recente no jornal The Washington Post.

A cotação do petróleo, porém, caiu nas últimas semanas: passou da faixa de US$ 120 em junho para os atuais US$ 95, em meio à expectativa de recessão que pode atingir inclusive os EUA nos próximos meses. "Países como Arábia Saudita e Emirados Árabes não estão motivados a produzir mais e trazer preços para baixo; estão aproveitando a alta de preços", ponderou ​Samantha Gross, diretora de Segurança Energética do centro Brookings, em um debate.

O timing se torna mais delicado em um contexto em que Biden vive sério desgaste de imagem nos EUA, que ameaça o Partido Democrata no pleito legislativo de novembro. Em maio ele fez uma viagem à Ásia da qual já voltou sem grandes resultados práticos na bagagem.

Agora, a visita aos sauditas teve novo custo político interno alto. Em 2020, Biden criticou Donald Trump por sua proximidade com Riad, especialmente com o contexto do assassinato de Jamal Khashoggi, jornalista do Post morto e esquartejado em 2018 no consulado do país na Turquia. A inteligência americana aponta que a execução foi ordenada pelo príncipe Mohammed Bin Salman, que nega envolvimento.

Na campanha, o democrata prometeu fazer os sauditas "pagarem o preço" e tratá-los "como o pária que são". Mas, no cargo, manteve a parceria de décadas, reatando a relação aos poucos.

Congressistas democratas chegaram a enviar uma carta pedindo ao presidente que não fosse à Arábia Saudita. "As manchas de sangue nele [MbS] ainda não foram limpas", disse o senador Tim Kaine. Treze grupos de direitos humanos ainda disseram que retomar as relações "não só trai promessas de campanha, mas provavelmente dará mais poder ao príncipe para cometer outras violações".

Biden seguirá para Jedá, na Arábia Saudita, na sexta (15), onde deve ter uma reunião bilateral com o rei Salman. Nesse encontro, o príncipe deve ser parte da delegação de seu país, e há dúvidas se o americano irá cumprimentá-lo ou posar para fotos ao seu lado.

O presidente rebateu críticas dizendo que atuou para responsabilizar o príncipe no caso Khashoggi. "Nós revertemos a política de cheque em branco que herdamos", afirmou. "Meu governo deixou claro que os EUA não vão tolerar ações contra dissidentes por qualquer governo."

Antes de lidar com esse problema, na primeira escala da viagem Biden se encontrará com o premiê de Israel, Yair Lapid, em momento também pouco oportuno. O governo de Naftali Bennett foi dissolvido no fim de junho, e Lapid governa sem poderes para tomar grandes medidas, enquanto espera a eleição de novembro —uma reunião com o ex-premiê Binyamin Netanyahu também está na agenda.

A parada servirá também para que Biden, que defende a solução de dois Estados para o conflito com a Palestina, marque diferenças com Trump. O republicano irritou palestinos ao mudar a embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém e dar apoio a um plano de divisão que deixaria moradores da Cisjordânia em áreas isoladas, conectadas por túneis (ideia que acabou na gaveta). Também costurou os Acordos de Abraão, que restabeleceram relações de Israel com nações como Arábia Saudita e Emirados Árabes.

Biden agora buscará celebrar o avanço dessa integração —com a Casa Branca destacando que ele será o primeiro presidente americano a fazer um voo direto de Israel à Arábia Saudita— e, ao encontrar o líder palestino Mahmoud Abbas, tentará apaziguar o clima: os palestinos reclamam da demora em reabrir um consulado fechado por Trump em 2018.

A viagem deve ainda mirar o Irã. Biden almeja reconstruir o acordo de 2015, implodido por Trump, pelo qual Teerã aceitou reduzir sua capacidade nuclear em troca do alívio de sanções, mas os iranianos, inimigos figadais de Israel, aproximam-se cada vez mais da Rússia, que os EUA buscam punir devido à Guerra da Ucrânia.

Antes de voltar a Washington, Biden também espera faturar com a trégua na guerra no Iêmen, obtida com ajuda da diplomacia americana. Para isso, deve ir a uma cúpula com representantes de Egito, Iraque e Jordânia.

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