Biden vai reverter liberação de Trump e voltar a impor restrições de viagens do Brasil

MARINA DIAS
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WASHINGTON, DC - JANUARY 25: U.S. President Joe Biden stands after signing an executive order in the Oval Office of the White House on January 25, 2021 in Washington, DC. President Biden signed an executive order repealing the ban on transgender people serving openly in the military. (Photo by Doug Mills-Pool/Getty Images)
WASHINGTON, DC - JANUARY 25: U.S. President Joe Biden stands after signing an executive order in the Oval Office of the White House on January 25, 2021 in Washington, DC. President Biden signed an executive order repealing the ban on transgender people serving openly in the military. (Photo by Doug Mills-Pool/Getty Images)

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente Joe Biden decidiu restabelecer as restrições de viagem a passageiros não americanos que chegam aos EUA vindos do Brasil e da Europa. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (25), a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, confirmou que o democrata vai reimpor a medida que havia sido derrubada por Donald Trump na semana passada, e adicionou a África do Sul à lista de limitações.

A Casa Branca, porém, ainda não divulgou a ordem executiva, que será assinada por Biden nesta segunda, com as datas de início e detalhes sobre os procedimentos.

Dessa forma, a maioria dos cidadãos não americanos que estiveram nos últimos 14 dias no Brasil, na África do Sul, no Reino Unido, na Irlanda, e em 26 países europeus não poderá entrar nos EUA -há exceções para vistos diplomáticos ou para quem viaja por razões humanitárias, de saúde pública e de segurança nacional, por exemplo.

A decisão de Biden já era esperada em meio ao surgimento de novas variantes do coronavírus, mas frustrou o governo brasileiro, que tinha esperanças de que o democrata não voltasse a proibir a entrada de viajantes do Brasil nos EUA.

Desde a campanha eleitoral, Biden tem dito que sua prioridade é o combate à pandemia que já matou mais de 410 mil americanos, e assinou diversas ordens executivas sobre o tema em seus primeiros dias de governo -os decretos não precisam do aval do Congresso para entrarem em vigor.

Na semana passada, o novo presidente americano assinou uma medida exigindo teste com resultado negativo para Covid-19 e quarentena de sete dias aos estrangeiros que chegam aos EUA, e muitos diplomatas brasileiros acreditaram que esse já era um endurecimento da política do novo governo contra a pandemia -o democrata, porém, afunilou ainda mais o caminho para os países onde a situação está longe de se normalizar.

"Estamos adicionando a África do Sul à lista de restrições por causa da preocupante variante [do coronavírus] que já se espalhou para além da África do Sul", disse Anne Schuchat, vice-diretora do CDC (Centro de Controle e Proteção de Doenças dos EUA).

Segundo a agência de notícias Reuters, a especialista acrescentou em entrevista no domingo (24) que o conjunto de medidas está sendo tomado para "proteger os americanos e também reduzir o risco de essas variantes se espalharem e agravarem a pandemia atual."

Algumas autoridades de saúde estão preocupadas com o fato de que as vacinas atuais podem não ser eficazes contra novas variantes do coronavírus, e têm orientado redobrar a cautela.

Os EUA lideram o número de casos e mortes por Covid-19 no mundo e a expectativa é que o país chegue à marca sombria de meio milhão de mortos no mês que vem.

Em 18 de janeiro, às vésperas de deixar o cargo, Trump suspendeu as restrições de viagem a não americanos que chegam aos EUA do Brasil e da Europa.

De acordo com a decisão do republicano, os passageiros poderiam entrar nos EUA a partir de 26 de janeiro, contanto que apresentassem um teste com resultado negativo para Covid-19 feito com até 72 horas de antecedência à viagem.

Minutos depois do anúncio de Trump, a porta-voz de Biden afirmou que o novo governo não pretendia suspender as restrições -o democrata tomaria posse em menos de 48 horas. "Seguindo o conselho de nossa equipe médica, o governo não pretende suspender essas restrições em 26/1. Na verdade, planejamos fortalecer as medidas de saúde pública em torno das viagens internacionais, a fim de mitigar ainda mais a disseminação da Covid-19", escreveu a assessora de Biden no Twitter.

Para isso, o novo governo precisaria impor novamente um bloqueio na entrada dos viajantes -como aconteceu nesta segunda.

Assim como os EUA, Europa e Brasil têm assistido a novos picos no número de casos por Covid-19 nas últimas semanas, e diversos países europeus, estados americanos e brasileiros, como São Paulo, voltaram a adotar restrições para tentar conter uma nova onda da doença.

Trump determinou a proibição de entrada de estrangeiros vindos da China em 31 de janeiro de 2020, ainda no início da pandemia, quando o país asiático era o epicentro da crise. No mês seguinte, adicionou à lista o Irã e, em março, estendeu as restrições a pessoas vindas da zona Schengen, Reino Unido e Irlanda.

A restrição à entrada de viajantes do Brasil foi imposta no final de maio. Enquanto o bloco europeu ainda restringe a entrada de americanos, o Reino Unido e a Irlanda solicitam duas semanas de isolamento. O Brasil não tem restrições para quem chega dos EUA.